terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O quotidiano

A nossa vida depois do 4-0, em Lisboa.

Namorar com um estrangeiro é...

-Ficar impressionada com as expressões idiomáticas e querer sempre aprender mais uma.;
-sentir-se um bocadinho preocupada ao pensar que "se as coisas correrem bem" Portugal já era;
-sentir-se um bocadinho menos preocupada se o país do namorado estrangeiro for um bocadinho mais desenvolvido que Portugal;
-ficar furibunda porque no país do namorado estrangeiro utiliza-se o pronome relativo para falar de uma pessoa a quem queremos muito e que está mesmo ali ao nosso lado e isso não tem nada de depreciativo;
-ficar contente de ir à casa da sogra porque já se sabe que há sempre uma novidade culinária;
-nunca mais ter de ouvir "fod*** car**lho" mas poder dizer "fod*** car**" sem que resulte incómodo para nenhuma das partes;
-estar com muita atençãozinha aos "false friends" (Ex: em Espanhol espantoso significa uma coisa muito má e esquisito significa uma coisa muito boa)
-tentar explicar, sem sucesso, a importância da presença do Mar.

etc...etc...



segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Um avôzinho de conto: a história de uma alhaja

O avô do meu namorado está no hospital há 15 dias. Não há esperança de vida e também não há de morte. A avó, uma senhora de 79 anos, muito doce e especial recusa-se a sair do hospital. Há 15 dias que dorme nos bancos da sala de espera. Este fim-de-semana vi-a e entendi o mobil: está perdidamente apaixonada pelo marido. Tão apaixonada que não pode imaginar a vida sem ele.
Entre muitas lágrimas e muitos soluços, à medida que me apertava a mão com força, repetia vezes sem conta palavras de carinho dedicadas ao seu quase defunto marido e desesperava. Dizia "o que é que vai ser da minha casa sem ti, alhaja", "o que é que vão ser dos nossos filhos e dos nossos netos alhaja, alhaja" ; " ai ele estava tão feliz com os netos".
Alhaja significa jóia ou pedra preciosa. Esta velhinha , 50 e tanto anos depois, ao ver que o seu "camarada" não sobrevive aos anos e às doenças sussurra em desespero palavras de amor e ternura. E isto que vos estou a contar não é uma lenda que ouvi por ai. Tem ainda mais valor por ser uma história real, de um casalinho de velhotes a quem nunca vi darem beijinhos. Lembro-me, contudo, dos conselhos carinhosos que este avôzinho-dotado das 3 mais importantes característica inerentes a um avôzinho de conto:forte, barrigudo e fofinho-me dava "Coño, abriga-te", "Coño, que calças são essas que trazes hoje"...e tinha uns olhos muuuito sorridentes, sempre.

Ora, sendo eu uma romântica incurável não posso deixar de me comover com esta história de amor e de desejar que estas coisas sejam genéticas. Na verdade, cada vez mais me convenço que uma pessoa sabe, sem grandes rodeios, quando está perante o amor da sua vida. Por exemplo, este fim-de-semana o meu namorado, um doce de homem mas incapaz de grandes demonstrações de carinho em público, disse-me que se não fossem as circunstâncias [6 meses de relação+ eu trabalhar em Madrid+não-sei-quê(suponho que sejam estas as "circunstâncias)] me pediria em casamento agora mesmo porque tem muita vontade...Eu, romântica mas também muito independente e livre, corei e disse-lhe "NIM" enquanto sentia que os joelhos me fraquejavam, a boca do estômago se contraía e a espinha era percorrida por um calafrio ora agradavél, ora assustador...E, embora também ache que as circunstâncias não são as mais indicadas, sinto que este homem é a minha alhaja. E mais, no seguimento da imagem que tenho de mim própria, costumava constar uma aversão quase repulsiva à maternidade. E agora que esta alhaja española me saiu no El Gordo, até já estou disponivel para negociar a ocupação do meu útero e do meu ventre e nem me importo se o ocupante sair parecido com ele (claro, desde que tenha a minha inteligência, tolerância e sentido de justiça , a minha tendência esquerdista, o meu sorriso, as minhas sardas,a minha vontade de viver, a minha nacionalidade, os meus apelidos, enfim, tudo meu).

Posto isto caros leitores, esperando que o comentário que se segue não vos pareça egoísmo do mais feio, confesso que vendo a avó do meu namorado sofrer pelo que lhe vai custar viver sem a sua jóia, tive a certeza que o amor eterno afinal existe. Acredito que nem tudo será magia e que um amor assim não sairá espontaneamente das entranhas. Concerteza haverá um polimento constante. E a melhor noticia de todas, depois desta, é que afinal há Esperança porque de um momento triste, nasce um momento feliz e um leque de outras coisas ainda mais positivas.

Resumindo 1: Se o meu namorado um dia destes se fizer acompanhar de um anel (com a proveniência da pedra preciosa devidamente reconhecida que eu não quero patrocinar assassinos), dos olhinhos lindos que tem e de um pedido de casamento eu: desmaio, desmaio outra vez, soluço, choro, digo-lhe que sim e beijo-o perdidamente.

Resumindo 2: Já me afastei do tema inicial deste texto: el abuelo Jesus Melar Lopéz, um senhor infinitamente bonito por dentro e por fora, de quem vou ter muita saudades e que me vai fazer sentir muita falta das conversas que nunca tivemos :(


El abuelo

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O pé da meia-laranja

A minha cama pediu-me que te dissesse que sente a tua falta, que as noites não são iguais se tu não vens ocupar aquele espacinho que fica vazio, no lado esquerdo. Diz que não dorme igual se tu não estás.

Pediu-me também que te dissesse que por muito quentinha que eu seja, não há calorzinho como o teu, sobretudo agora nestas noites invernosas de frio, chuva e, alguma vez, neve. Já sabes que a noite madrileña sem ti não é a mesma coisa.

Vê lá se reservas um espacinho na tua agenda para vires dormir na minha cama, para ver se ela se acalma e deixa de me perguntar por ti.



quinta-feira, 16 de setembro de 2010

ups...peço desculpa sr.....manequim

Nem vale a pena perguntar-vos se também já vos aconteceu entrarem numa loja, tropeçarem num manequim e pedirem desculpa.....

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Hoje foi um dia triste...A minha colega de trabalho, a Elena, foi despedida sem pré-aviso, sem repreensões, sem nada. Estávamos todos sentados a trabalhar e chegou o advogado que normalmente vem para despedir os empregados, porque o Director da empresa, um verdadeiro cobarde, nunca está nestes dias. Chamou-a para uma conversa em privado e despediu-a...Ela nunca tinha sido chamada a atenção por nenhum erro mais evidente...Foi uma surpresa.

E hoje foi ela, e amanhã posso ser eu. E assim está o mercado laboral.

Quem pode dormir tranquilo?

domingo, 5 de setembro de 2010

Se eu tivesse de personificar a simplicidade da vida fa-lo-ia com o que vejo, sinto e penso agora mesmo...


Fonte:http://maramarolhares.blogs.sapo.pt/

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São 19h45, 3 de Setembro, um dia que tem já nuances de Outuno porém ainda padece do calor típico de um dia quente de Verão: estão cerca de 30ºGraus. Corre uma aragem fresca e a copa das árvores abana ligeiramente. Vejo sair de uma chaminé fumo e imagino que alguém estará a fazer pão de forno. Por baixo da janela da casa onde estou hospedada ouço as conversas pitorescas dos da 3ºidade que vêm todos os finais de tarde sentarem-se num banco de jardim, num jardim de asfalto, numa pequena rua rodeada de muros não muito altos, pintados com cale e ornamentados com bocados de vidro , não vá o diabo tecê-las.
Não sei do que falam porque não os entendo mas entendo o que sentem e o que pensam. Também me sentei muitas vezes, noutros finais de tarde, de outros lugares e comparti conversa com esta gente de roupa carregada de viuvez, acompanhada de amarguras e memórias nostálgica de tempos descritos como “aquilo é que eram tempos” e de bengalas que, no meu ver, servem ora para apoiar as mazelas do corpo, ora para darem bengaladas na morte-

Olho um bocado mais além do horizonte e reparo nos pássaros negros que sobrevoam o pequeno céu, da pequena aldeia que é Guadamur. Parecem-me andorinhas porém não ponho as minhas mãos no fogo que dos tempos passados com a 3ªidade não tive tempo de colher todo o conhecimento e faltaram-me os detalhes da natureza! Bom, caso sejam andorinhas suponho que estão numa azafáma tão grande porque, seguramente, já têm bilhete comprado para outras paragens e têm pressa, não obstante sentem alguma nostalgia pelos tempos que passaram com estes vizinhos, entre uma piscina e outra, entre um limoeiro e um telhado de uma pequena casinha.Isto faria eu se fosse andorinha, em Setembro.

Entretanto aborrecida por não entender o espanhol destes velhinhos decidi pôr o mp4 do meu namorado e eis que fui agradavelmente surpreendida por 1 playlist compostas por musica roubada aos Madredeus. Que voz e que significado tem para mim a composição destes tipos.
Imediatamente, entre guitarras portuguesas e andorinhas a sobrevoarem o céu de forma louca, a minha mente viajou até aos céus de Lisboa habitados por andorinhas anarquistas. Digo céus, no plural,porque são mil e cada um diferente e cheio de emoções e pormenores. Tenho saudades destes céus e da companhia que, mesmo longe, me continuam a fazer. Oxalá me chegasse uma brisa de Oeste com os primeiros aromas do Outono lisboeta.

Sabem, é duro estar longe. Embora nem tudo seja eterno há um momento em que temos de escolher. Cada dia que passo longe de Lisboa sei que quero ser para sempre habitante das suas rotinas porém, se estou em Lisboa, o mundo começa a parecer-me maior, desconhecido e atractivo e o despertador começa a tocar cada vez mais alto até que é hora de partir outra vez.

Deixo-vos com esta reflexão para continuar a desfrutar, neste lado da fronteira, deste dia simples observando desde uma janela um mundo de velhinhos com bengalas e passados, andorinhas, musica e dúvida feitas de tranquilidade.
Dedico este post aos que, por terem partido, se sentiram alguma vez sós e alguma vez orgulhosos, e alguma vez cobardes e alguma vez heróis. Dedico também aos que nunca partiram porque sabem que é dificil a vida sem andorinhas anarquistas.

sábado, 14 de agosto de 2010

Sàbado de manhã...

Sábado de manhã, dia de folga, liberdade para dormir até que me apeteça e o corpo, habituado ao ritmo do trabalho, começou a reclamar por volta das 8h30 e a dizer "vá menina, levanta o rabinho que isto não são horas de estar na cama". Chateada lá lhe fiz a vontade. Comi um prato de cereais com chocolate e sai para tentar uma vez mais cumprir aquela que se tornou a minha missão impossível: fazer a depilação. E explico-vos: em Espanha os horários de trabalho são repartidos, ou seja, são como 2 part-times o que significa que eu entro ás 9h, saio às 14h (morro de tédio), entro às 16h (cheia de sono) e saio às 19h. Ora, se as esteticista têm o mesmo horário que eu significa que nunca nos cruzamos. Significa também que se um espanhol mais atento ao estereotipo olhar com atenção para o meu corpo, debaixo da roupa, vai dizer sem hesitar " Elah, temos aqui uma portuguesa!!!"

....

O melhor de nuestros hermanos II

Manuel Rivas

El lapiz del carpintero



Um retrato da Guerra Civil Espanhola.

domingo, 1 de agosto de 2010

Nunca vos contei como é linda Segóvia


Fonte: google

Situada na comunidade de Castilla y Leon, está rodeada de montanhas não muito altas e aqui e acolá há casinhas de madeira que parecem de chocolate. O sopé é feito de largos prados habitados por gado. As ruas da cidade são estreitas, os edifícios têm mais de 4 andares, as varadas são feitas de madeira escura e as donas põe-lhes floreiras e pequenos moinho de vento.
Para os espanhóis o às de copas da cidade é o Aqueduto, construído nos séculos I e II, com cerca de 29 metros de altura e 726 metros de comprimento. É frequente ouvi-los contar como se sentem orgulhosos pela resistência do velho monumento, feito com pedra sobre pedra, sem ajuda de cimento ou tesapowerstrip!


fonte:google

Como em todas as cidades que visito o que mais gosto é a vista geral, i.e, colocar-me num ponto onde possa ter uma vista ampla e ver o conjunto depois de me ter deliciado com os pequenos detalhes: gentes, ruas, campanários, muros, floreiras, cheiros etc... portanto para mim o mais bonito de Segóvia é o Alcazar. Parece um cenário de conto de fadas com um Castelo de príncipes e princesas que são felizes por mais de 1000 anos.


fonte: Google

Bom, eu senti o primeiro abraço forte do meu príncipe castelhano num dia de Sol enquanto estávamos deitados na relva fresca e verde à entrada do Alcazar enquanto descobríamos formas familiares nas poucas nuvens que pintalgavam o céu. Oxalá seja um bom agoiro.

domingo, 11 de julho de 2010

y VIVA ESPAÑA

isto é lindoooooooooooo...em directo. Já sei que as vuvuzelas não me vão deixar dormir mas não me importo.... Madrid está em fogo :)
aaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhh, ES LA LECHE

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Polvo Paulo

Para quem ainda não conhece a estrela cá do sítio aqui vai uma foto:




.......Sem comentários...

quinta-feira, 8 de julho de 2010

La Roja

Mesmo que o futebol não seja a minha paixão é impossível ficar indiferente à paixão dos outros pelos futebol.

Estar em Espanha (Madrid é Espanha, Espanha, sem pretensões separativistas)e assistir à glória de La Roja é emocionante. Ontem ao final da tarde aproveitei para ir dar uma caminhada pelo centro da cidade. As ruas estavam desertas e os cafés cheios, cheios...ainda ia muito descansadinha pelas ruas quando o Puyol (o homem mais feio cá do sítio) marcou o golo. Foi em uníssono que todos gritaram, pularam (acho que senti o chão tremer) e cantaram " lalalalala, y viva españa"...gritaram tanto, de forma tão coordenada e tão forte que até me pareceu ouvir os gritos das gentes de Pontevedra e de Cádiz...fiquei com pele de galinha.

Força Espanha!

Um dia hei-de me pronunciar sobre esta modinha das bandeiras e dos símbolos nacionais. Ao principio tinha o seu encanto mas agora começo a achar sinceramente que é perigoso tanto símbolo, tanto orgulho patríotico...vi isto nos Balcãs e garanto-vos que as consequências a longo prazo não são nada boas...



Fonte: CM

terça-feira, 29 de junho de 2010

Espaços para as comunidades de leitores

Concordo que muitos dos crónistas, pseudo-jornalistas e outros, que escrevem nos jornais não passam de gente tendenciosa, com um discurso gasto e com duvidoso talento para a escrita. Quando os leio fico com uma sensação de cinzento invernoso e de não ter aprendido rigorasamente nada. Ainda assim congratulo-me por pensar que ainda existe algum critério de selecção nos recursos humanos, sobretudo nos jornais/revistas com maior prestígio. Ao ler os comentários anexos aos artigos, escritos por pseudo-intelectuais fico, normalmente, preocupada, com o estado e com o nível de cultura e lavagem cerebral da Nação. Em geral, nestes espaços dedicados aos leitores, abundam os lugares comuns e a fraca capacidade de reflexão individual.

Por exemplo hoje, ao dar uma vista de olhos pelos principais títulos, deparei-me com um artigo de um conhecido jovem humorista português. Gostei do que li, sobretudo pela capacidade de análise dos factos, um pouco tendenciosa, é verdade mas desculpável se considerarmos que se trata de um cronista e não de um jornalista. No entanto baixar a página não podia acreditar na ignorância e na violência verbal implícita nos comentários dos leitores.

Vamos lá a ser racionais. É um facto que a internet permite a qualquer borra-botas a possibilidade da ribalta - vejam o meu caso que com este blog me posso sentir super inteligente (a mais inteligente de todas) e posso ter os meus 5 minutos de fama semanais através dos mais de 1000 milhões de leitores que me visitam- porém sejam educados caros leitores-escritores dos comentários. Apelem um pouco mais ao vosso bom senso e deixem-se de pantominices e outras tretas. Usem o espaço que vos é concedido para contribuirem com algo útil à restante comunidade e leitores...

Obrigada

segunda-feira, 21 de junho de 2010

1494-2010


Fonte:publico.pt

Desde o Tratado de Tordesilhas que nao se falava tanto de Portugal na Nuestroshermanóslândia!!

Pfffff...deves-te achar!!

Há já bastante tempo que reparei que na calle San Bernando há uma loja com roupa feia e antiga, dos anos 50 e 60. Como as roupas de loja em segunda-mao estao muito em voga pensei que fosse mais uma e hoje, que ia com tempo e em passeio, decidi entrar e verificar as velharias...Disse boa tarde e perguntei com uma cara alegre (cara de 7 golos) "é tudo em segunda mao nao é?"...a mulher, também ela vinda directamente dos ano 50, com uns óculos de tartaruga super demodé respondeu-me com cara de dor de barriga "nao, nao é uma loja de segunda-mao"...e como se a minha situaçao nao fosse já suficientemente constrangedora, a mulher pôs uma cara ainda mais feia, mais mal-disposta, observou-me por cima dos óculos e perguntou-me "porquê?parece-lhe..." e eu fiz um gemido e abanei a cabeça...

Saí dali a fugir -da mulher e da sua horrorosa colecçao por estrear- e à saida da loja levantei a sobrancelha para demonstrar o meu desprezo pela indumentária tao pirosa...

estava apaixonada por ele há mais de 1 ano...

"Vai Ricardo Reis a descer a Rua dos Sapateiros quando vê Fernando Pessoa. Está parado à esquina da Rua de Santa Justa, a olhá-lo como quem espera, mas não impaciente. Traz o mesmo fato preto, tem a cabeça descoberta. [...] Fernando Pessoa sorri e dá as boas-tardes, respondeu Ricardo Reis da mesma maneira, e ambos seguem na direcção do Terreiro do Paço, um pouco adiante começa a chover, o guarda-chuva cobre os dois, embora a Fernando Pessoa o não possa molhar esta água, foi o movimento de alguém que ainda não se esqueceu por completo da vida, ou teria sido apenas o apelo reconfortador de um mesmo e próximo tecto, Chegue-se para cá que cabemos os dois, a isto não se vai responder, Não preciso, vou bem aqui. Ricardo Reis tem uma curiosidade para satisfazer, Quem estiver a olhar para nós, a quem é que vê, a si ou a mim..."

O Ano da Morte de Ricardo Reis, José Saramago




segunda-feira, 14 de junho de 2010

Feliz Aniversário Fernando Pessoa



Fernando Manuel Nogueira Pessoa
13-06-1888

Já sei que vou parecer louca por dizer publicamente que tenho muitas saudades tuas mas não me importo. Não podia deixar de te felicitar Mestre da melancolia lisboeta...

sábado, 12 de junho de 2010

Um dia típico na procura de quarto:

Passo as manhãs a ver anúncios, escolho os que gosto através da relação foto/preço, ligo para as pessoas e marco um encontro. Chego ao local, que nunca está "logo ali à saida do metro" como eles dizem. Pergunto aos transeuntes, que neste país sempre respondem com "joder, guapa isso está muito longe", e eu, que vou a pé para todo o lado, pergunto-lhes o que significa "longe" e eles fazem um movimento com a mão, põem a cabeça para trás e um jeito na boca como se fossem a assobiar e dizem "Guapa pelo menos uns 15 minutitos!!" e eu respondo-lhe "isso é canja meu!".
Bom, ando, ando, pergunto, ando mais um bocadinho, às vezes constato que vou na direcção errada,chego ao encontro atrasada mas, por fim, chego. Abrem-me a porta e eu sinto logo as energias. (gostava de um bocadinho mais de suspense, de utopia mas o sexto sentido não permite grandes percas de tempo). Normalmente é gente simpática. Uns são mais rápidos,outros explicam com mais detalhe, contam mais da vida, perguntam donde sou "Ah, Lisboa. Uauh, é preciosa!!", " Obrigada, Obrigada, também acho!". O mais difícil é quanto imediatamente percebo que a casa é desordenada ou suja e tenho que fazer uma série de sorrisos amarelos ou então fazer perguntas que não têm nada a ver com o contexto para disfarçar o mal-estar, a vontade de fugir dali para fora.

Normalmente se as casas estão perto vou a pé. Adoro caminhadas. São momentos de comunhão com o espaço envolvente. Ontem entre rua e rua tive alguns momentos de galanteio com Madrid. Que pena que não tenho máquina fotográfica. Foi impressionante quando cheguei à Rotunda de Atocha, em hora de ponta e vi a Estação, o Museu Reina Sofia, as árvores de Embajadores e, ao fundinho os subúrbios de Madrid, todos no mesmo campo de visão. Uah! E depois perdi-me sem pressas nos becos de Lavapies (já estava mais de 45 minutos atrasada).Sem dúvida o bairro mais bonito de Madrid.

E já que estava por ali entrei numa taberna e sentei-me a escrever enquanto comia um triângulo de tortilla e uma coca-cola. Quando já estava a terminar uma idosa pediu-me para se sentar na minha mesa. Eu já estava de saída mas deixei-me estar mais um bocadinho e desfrutei da companhia da Mercedes das Astúrias, 80 anos de idade e viuva há onze, que já não tem "ilusion por nada hija mia" e que, como se não bastasse, a melhor amiga caiu e espatifou-se toda. Por isso, agora come empanadas galegas e fanta de laranja sózinha. Bom, nem vos conto a vontade que tive de ficar ali a falar com esta velhota catita mas decidi sair antes dela para não pensar que lhe podia fazer algum mal. Há que ter sensibilidade nestas coisas que os velhotes são a coisa mais fofinha mas também são prós em teorias da conspiração!

Segui o meu passeio pelas ruelas do colorido bairro e entrei numa pasteleria árabe. Comprei um biscoito de não-sei-quê mais duro que um osso que me custou 0.90€. O dono da loja perguntou-me " Portugal é um pais tão rico em pastelaria o que estás tu a fazer nesta espelunca de país??". "Desculpe siim??" e, claro, apressei-me a defender Épáñá....

Depois segui para a Biblioteca da Puerta de Toledo e aí tive uma animada conversa com a bibliotecária, fã de Pessoa e que insiste em sugerir-me livros dos quais ela não gosta. Que estranho, verdade?

E assim se passa um dia à procura de um sítio para viver :)

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Odisseia do Aluguer de Quarto

Todos os que alguma vez procuraram casa/quarto para alugar conhecem bem a sensação de chegar, sentir uma pontada no estômago e pensar " que raio estou eu a fazer aqui???"
Assim estou eu,outra vez. Confesso que depois da tournée de Fevereiro, em busca de quarto, já pouco me surpreende nesta cidade mas...
Madrid é um filme comicótrágico (mais trágico que cómico) no que concerne a aluguer de quartos.Como vive muita gente no centro, quase todos os edifícios estão ocupados e muitos por gente jovem logo há bastante oferta e, também, bastante falta de bom senso!

Lembro-me que na tournée de Fevereiro vi coisas do Arco da Velha:
-1 casa tão pequena, tão limpa e desinfectada que cheirava mal;
-1 rapariga pediu para ver o meu Facebook e nunca mais me deu notícias (nem me alugou o quarto)
-1 sotão onde tínhamos de caminhar de gatas porque o tecto, ao contrário do habitual, era plano, as escadas de acesso eram tão pequenas e inclinadas que tive medo de morrer e este cubículo da vergonha não tinha nem porta,nem janelas, apenas umas cortininhas que "garantiam" a privacidade.

Bom, agora que decidi ficar em Madrid comecei a procurar uma casa com sala e cozinha espaçosas. Estava tudo a correr bem até que uma insular, jovem por fora, louca por dentro, com uma casa espectacular, decidiu mostrar o devaneio/falta de ar puro que lhe vai na alma e brindou-me com 1 lista de perguntas em directo e por telefone que, segundo ela, a vão ajudar a escolher por afinidades com quem quer viver(reparem, afinidades, irra!):
- Costumas caminhar devagar ou depressa? (porque o soalho é de madeira)
-tens o sono leve ou pesado?
-costumas acordar muitas vezes durante a noite?
-Incomoda-te compartir a máquina de lavar? (ou seja, as cuecas dela com o meu pijama)
-Quantas vezes por semana lavas a roupa? (respondi 2vezes por semana. parece razoável, verdade?)
-Quanto a namorado quantas vezes o trarás para dormir? (desconfio que além de arquitecta também faz uma perninha no Gabinete de Planeamento Familar)

etc..etc...etc...

Conclusão: Medo, Muito Medo

Ah e mais esta:
-incomoda-te que eu me desperte às 8h da manhã??

F*@#-se Gralha do C*%@&** DESAMPARA-ME A LOJA!!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

La Faróla


Fonte: El pais

La Farola está para Madrid como a Cais está para Lisboa. Vende-na sobretudo às portas dos supermecados e "la fiesta" também está patente na abordagem e na maneira de vender.
Os vendedores são sobretudo imigrantes da África Subsahariana e têm um temperamento muito peculiar. Alguns estão cá há anos e só sabem dizer meia dúzia de palavras entre as quais cariño e guapa. Assim, mesmo quando não têm intenções libidinosas ou agressivas o discurso que utilizam para cativar os transeuntes por vezes é um pouco estranha.

Numa das entradas do El Corte Inglés de Quevedo está um jovem que diz num tom de voz esganiçada "Hey guapa,guapa...hey, hey, hey..que paaasa cariño???". E numa das ruas da Calle Princesa há outro que diz num tom de voz muito dramático "Hola cariño, estoy moriendo de hambre...una moneda..." e anda de um lado ao outro da rua como louco. A primeira vez que o vi fiquei bastante sensibilizada e voltei atrás para contribuir. Depois compreendi que é tudo uma questão de marketing e auto-confiança portanto agora ajudo em número ou em género os mais caladinhos, os que dizem com a voz quase sumida " Buenos Dias Señorita"...

E gosto de todos eles e apetece-me falar um bocadinho com cada um deles. Gosto sobretudo da alegria que imprimem às ruas madrileñas, dos sorrisos e do dircurso de abordagem tão diferente, da vontade que têm de ficar e no esforço que fazem a cada dia. Suponho que a maioria atravessou de barco os 14 KM que separam o continente africano do continente europeu portanto são já , à partida, CAMPEÕES!

(clicar no título s.f.f.)

S.O.S Rádio

Tinha a minha irmã à minha espera no aeroporto e assim que entrei no carro percebi de imediato que as estações de rádio portuguesas são das poucas coisas que me fazem falta aqui.
Sinto falta das playlist de Portugal. Mesmo sendo um bocadinho contra as playlist há que admitir que as portuguesas têm alguma qualidade porque há uma grande variedade de reportório, desde os grandes hits até aos lados B, desde os 60´s até à actualidade, em inglês, português, espanhol, italiano, francês etc...

Em Espanha as rádios limitam-se a passar os grandes êxitos de sempre e os mais conhecidos de agora: Beyonce, Rhiana etc...( não me lembro de ter ouvido Norah Jones) porém, passam, maioritáriamente musica espanhola de muito má qualidade: olé, olé, ti quiero, olé, olé cariño e já está!

Valham-nos os cantautores e alguma banda que vai fazendo alguma coisa de qualidade...

Vida de Avião



Enganam-se Vossas Excelências se pensam que para mim andar de avião ainda é uma tortura. Estou bastante mais tranquila. Claro, sinto sempre algum nervosísmo e quando vejo o avião parado na pista penso sempre "é este o malogrado" e quando tenho companheiro de viagem penso que talvez seja o último amigo que vou fazer na vida.Bom, há excepção disto estou praticamente adaptada à rotina dos aviões e já desfruto da quase totalidade da viagem o que me leva a reparar em pormenores que antes me eram indiferentes tais como a banalidade inerente aos aeroportos. No meu imaginário eram sítios mágicos, Torres de Babel e os sítios mais seguros do mundo. Constato agora que não passam de estações de comboio em hora de ponta, cheios de falhas de segurança onde abundam o excesso de tráfego e os sucessivos atrasos. Sobre as hospedeiras tenho a acrescentar que me parece que desempenham simplesmente tarefas de empregada de mesa portanto não entendo porquê tanta mariquice e sorrisos de plástico. por favor, sejam mais naturais e terra-a-terra (mesmo tratanto-se de aviões).

Mas o que me tira do sério é a pressa das pessoas para saírem. Calma pessoal, não é o comboio. Não se podem abrir as portas em andamento!!...Assim que o avião aterra desapertam imediatamente os cintos de segurança e põem-se de pé para tirarem a bagagem de mão (que se transformou em baús gigantes) mesmo após sucessivos avisos dos comandantes para permanecerem sentados. E depois ficam todos calados, com cara de caso, nos corredores estreitínhos, a olharem fixamente para o chão.As vezes o avião tarda mais de 5 minutos a abrir as portas.Ora imaginem se alguém se sente mal? Ou se eventualmente o avião tem de voltar a deslocar-se para outro estacionamento??

Tenham calma minha gente...Há que trazer de volta a magia dos aeroportos e convosco a comportarem-se assim como se estivessem no Carris 36 em hora de ponta é um bocadinho difícil, verdade??

Operação Tapa-Biquiní


Café Concha, C/S.Bernardo, Madrid

Não é segredo para ninguém que o que eu gosto mesmo em Espanha são as tapas. Dia que não me salga de tapas não é dia! Ás vezes nem me apetece muito beber álcool mas adoro a expectativa de saber o que me vai sair de tapa. É como um ovo kinder ou um presente de Aniversário oferecido por uma pessoa discreta: até abrir nunca se sabe o que vamos encontrar! E reza a boa educação que não se pode rejeitar a tapa que nos dão a menos,claro, que seja algo de que não gostamos mesmo nada como enchovas ou espargos em conserva. Felizmente costumam ser bocadinhos de pão com alguma coisa ou quadradinhos de tortilha ou pratos cheios (a abarrotar) de batatas fritas pala-pala.

Ora tudo seguiria sendo perfeito não fosse a chegada do Sr.30ºC a Madrid. Depois de 4 meses de intenso e inconsequente namoro com as tapas chegou o momento dramático de dizer ao empregado de bar "deixe estar, obrigadinha, só quero mesmo a cervejinha..."

Menos mal que Madrid não tem praia :)

quinta-feira, 27 de maio de 2010

B.leza



Bêjo di sôdade, B.leza

Ondas sagradas do Tejo
Deixa-me beijar as tuas águas
Deixa-me dar-te um beijo
Um beijo de mágoa
Um beijo de saudade
Para levar ao mar e o mar à minha terra

Nas tuas ondas cristalinas
Deixa-me dar-te um beijo
Na tua boca de menina
Deixa-me dar-te um beijo, óh Tejo
Um beijo de mágoa
Um beijo de saudade
Para levar ao mar e o mar à minha terra

Minha terra é aquela pequenina
É Cabo Verde terra minha
Aquela que no mar parece criança
É filha do oceano
É filha do céu
Terra da minha mãe
terra dos meus amores

Bêjo Di Sodade

Onda sagrada di Tejo
Dixám'bejábu bô água
Dixám'dábu um beijo
Um bêjo di mágoa
Um bêjo di sodadi
Pá bô levá mar, pá mar leval'nha terra

Na bôs onda cristalina
Dixám'dábu um beijo
Na bô boca di mimina
Dixám'dábu um beijo óh Tejo
Um bêjo di mágoa
Um bêjo di sodadi
Pá bô levá mar, pá mar leval'nha terra

Nha terra ê quêl piquinino
È Cabo Verde, quêl quê di meu
Terra que na mar parcê minino
È fidjo d'oceano
È fidjo di céu
Terra di nha mãe
Terra di nha cretcheu

Interpretado por Titina

E por falar em Cabo Verde...



E por falar em Cabo Verde, pergunto-me, indignadíssima comigo mesma, como é possível que, 26 anos depois de ter respirado O2 pela primeira vez, ainda não o tenha visitado? Que ainda não me tenha mudado para lá de malas e bagagens? Como é que ainda não encontrei um projecto que me permita infiltrar-me no país dos meus sonhos?


3 amores maiores que eu

Curso de Crioulo de Cabo-Verde, em Lisboa



Olá kretchéus

Mod´ki koza ´sta? Mod´ki ta ese korpinh?

Como já referi aqui, o Crioulo de Cabo Verde é a minha segunda língua preferida e tem a expressão mais bonita que conheço: N´Ta Sabia...

Quando era estudante da Licenciatura em Estudos Africanos frequentei mais de 1 semestre a cadeira de Crioulo e adorei.

Se estiverem interessados visitem o site do Centro InterculturaCidade e informem-se sobre as condições para frequentar o curso: http://interculturacidade.wordpress.com/

abráçu dí páz


Ilha do Sal, CV Fonte: Joãzeco Azedofski

quarta-feira, 26 de maio de 2010

A importância de fazer listas



Há cerca de 2 semanas fiz um curso de Iniciação à Cultura Empreendedora.
Esperava algo mais intenso e direccionado para a cultura empresarial, ou seja, incentivo psicológico à criação de empresas e projectos que visam fugir à cultura de formigas no carreiro, que seguem um empresário forte que se vai tornando cada vez mais forte, rico e explorador.
Nada disso. O curso era uma formação coaching, i.e, reconhecimento e orientação das capacidades de cada um e respectiva aplicação na vida real de acordo com os sonhos e expectativas individuais.

Essencialmente tínhamos de fazer muitas listas.Listas de tudo e mais alguma coisa. Por exemplo: o que tenho de fazer esta semana, o que é para mim o dinheiro, o que é para mim o trabalho, o que me dá medo ao empreender, o que é que aprendi com o curso...
O formador, Sérgio Fernandez, defende que todos os anos temos de fazer listas de expectativas e obrigar-nos a colocar uma data. Não uma data limite como Maio de 2010, senão uma data concreta como Quarta-feira, 2 de Junho de 2010,10h da manhã.
Ora, estas listas, concebidas de forma tão detalhada criam alguma tensão porém é, também, esse o efeito pretendido. São uma forma simples e económica de pressionar o salto para o sucesso e bem-estar interior.

Há precisamente 1 ano enchi as páginas deste blog de listas e mais listas (lembram-se??). Congratulo-me por verificar que fui boa comigo mesma e pus mãos à obra. Congratulo-me ainda mais porque fui presenteada por alguns imprevistos muito bons. Claro que não fiz tudo a que me propunha e estou segura que nalguns casos foi porque não pus data mas, a maioria, foi porque sim ou porque não ou porque felizmente vamos vivendo, crescendo e mudando de sonhos e cenários.

Partilho agora convosco o meu T.P.C:
-encontrar um trabalho: Maio 2010
-Dar 54 beijinhos e 13 abraços aos meus sobrinhos: 29 Maio 2010
-Passear em Lisboa ao ritmo do fumo das castanhas assadas: Outubro 2010
-Visitar uma Ilha: 2010
-Inscrever-me na Pós-Graduação:Setembro 2010
-Inscrever-me no DELE: hoje
- Saudar as velhinhas da minha rua: todos os dias
-Caminhar no Retiro: 2x/semana
- Andar de balão de ar quente: -----

¡¡En lo que te queda de vida!!


galo de barcelos a namoriscar uma bailarina de flamenco


Voltando um bocadinho ao lugar comum de comparar Portugal com Espanha (e vice-versa), ouvi uma expressão que é, talvez, a única que consegue ser mais melancólica que qualquer uma das nossas: en lo que te queda de vida, que traduzido à letra significa algo como no que te resta de vida, equivalente ao nosso até ao resto da tua vida.
E usa-se mesmo para jovêns que têm toda a vida pela frente, que estão frescos como uma alface e que só vão morrer lá para os anos 80 do século XXI.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Cantinho de Madrid


um cantinho português na Calle de San Bernardo, Madrid

Há dias em que caminhando por Madrid se encontra, literalmente, um português em cada esquina...Nota-se logo quando é um português: fala com emoção mas baixinho. Um encanto :)

Curiosidades sobre Pepe



Quase sempre no estereotipo, o hombre español -o torero moreno, que seduz muitas mulheres, vai à tourada dia sim, dia sim, come tortilha ao pequeno-almoço -chama-se Pepe ( também Manolo ou Pablo).
Pepe é o diminutivo de José,equivale ao nosso Zé, e é um nome muito comum aqui, sobretudo nos homens mais velhos. Contou-me um amigo que Pepe é a adaptação da sigla P.P, que significa Padre Putativo, usada para designar São José, pai adoptivo/putativo de Jesús.

E esta hein?

Mais um guapísimo hombre português em Madrid

E parece que os nossos homens mais que lindos (refiro-me ao Mourinho, não ao Crixtianú) estão de pedra e cal no mercado dos nuestros hermanos. Olé!
Só falta mesmo o Diogo Infante para o ramalhete ficar composto. Olé

David Fonseca, 27 de Maio de 2010, Madrid, na Sala Caracol.



Fonte: www.davidfonseca.com

sábado, 22 de maio de 2010

Viagem a Segóvia

Segóvia é uma cidade parada na tempo onde quase acreditamos que ainda há princesas presas em torres de Castelos, que serão salvas por princípes montados a cavalo, ajudados por aias de bom coração!
Está rodeada por montanhas que no Inverno se pintam de neve e que agora estão pintadas de verde fresco, como os campos da Suiça.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Primeira entrevista de trabalho em España


Juan aos meus olhos


Na impossibilidade de rumar a África, decidi ficar em Espanha porque gosto do país, dos espanhóis, porque gosto da língua, porque gosto de Tortilha, porque gosto dos cantautores e porque está só a 625 Km de Lisboa.

Assim, pus mãos à obra e comecei a enviar Cv´s para empresas e ONG´s. A primeira a manifestar o seu interesse foi a Logicenter (atenção não estou a fazer publicidade/difamar. Estou apenas a divulgar o que se passou...) uma empresa de material técnico e informático que se quer expandir ao mercado português e, portanto, procuram um português, residente em Madrid, fluente em várias línguas. Por telefone disseram-me que não era necessário talento comercial visto que a prioridade é traduzir a página e atender de forma personalizada os clientes portugueses.
Claro, eu achei que esta oportunidade era feita à minha medida porque me permitiria viver no estrangeiro (adoro) sem, no entanto, deixar de falar português (adoro também). Nem sequer dei importância aos "sinais" que me indicavam que esta poderia não ser a melhor opção: salário de patrão explorador+ escritório no cú de Judas.

Cheguei à entrevista 3 minutos antes da hora marcada e fui recebida por um Juan de mal com a vida...E quando digo de mal com a vida, digo mal disposto, chateado com alguma coisa que se acabou por reflectir no seu comportamento estranho durante a entrevista e que me fez crer que, mesmo que me pagasse o salário em 10 de barras de ouro mensais, eu jamais poderia dispôr do meu tempo, do meu talento, da minha juventude e da minha vida a trabalhar com alguém tão antipático, cínico e imbecil.
Até agora contínuo incrédula com a situação e não posso deixar de pensar que o imbecil do Juan, no alto dos seus trinta e poucos anos, está todo corroído pelo stress...

Quando entrei em casa ainda estava f*d*d* mas encontrei uma apaziguadora de almas, a Noemi, italiana e minha companheira de piso. Como estava com vontade de cozinhar para relaxar, decidi convidá-la para comer Bacalhau comigo. E ela, simpática como sempre, também pôs mãos à obra e fez uma travessa cheia de verduras à la italiana, com um cheiro maravilhoso a manjericão (basílico). Terminamos a nossa noite animadas e a rir dos pobres coitados que nao sabem desfrutar da vida.

Embora precise u-r-g-e-n-t-e-m-e-n-t-e de encontrar um emprego fico feliz por poder aproveitar a vida com pequenos mas simbólicos momentos.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

terça-feira, 18 de maio de 2010

Viagem a Lisboa


pormenor de uma rua da Baixa-Chiado

Até fazer a última viagem a Portugal eu achava que os milagres eram coisa de beatas, cubanos e subconscientes tendenciosos. Agora estou convencida que se operou um milagre na minha vida. Talvez, também eu, esteja a ser tendenciosa mas não duvidem que vos escrevo em plena posse das minhas faculdades mentais.

Estava triste, cinzenta, aborrecida, sem ânimo, sem vida, sem caminho e sem luz e eis que uma viagem ao El Dorado da Melancolia* mudou tudo...

Tinha saudades de me encontrar num tesouro ao ar livre, de um país cheio de gente com alma e exaustão emocional.Foi mesmo bom rever tudo e todos. Abraçar os meus sobrinhos e dar-lhes doces às escondidas, pedir-lhes segredo e ele irem imediatamente e cheios de auto-confiança, a correrem com a boca aberta "oh vóóóóó a teté deu-me uma cobla encanada"!!!

Estar sentada à mesa com a minha família e comer comida com sabor da comida da mãe e, ainda, desfrutar de discussões políticas, futebolísticas, sociais com verdadeiros experts da filosofia "se eu mandasse..." mantidas num tom de voz elevado, acesso porém mais doce e respeitador que a algazarra espanhola.

Perder-me em conversas super interessantes com alguns dos meus amigos interessantes, de sempre e, espero, para sempre. Daqueles amigos com quem se pode partilhar sem termos receio de sermos rotulados...com quem se pode discutir e sentirmos, que independentemente da orientação social/ideológica de cada um, somos aceites e falamos a mesma língua: a da amizade-porque-sim. (um dia, com mais tempo, movida por algum ímpeto emocional, falar-vos-ei do meu amigo António que me via como uma pseudo-revolucionária de esquerda e a quem eu via como um conservador de direita...só nos víamos assim mas,felizmente, somos muito mais ).


Electrico 28

Passear pelas ruas pequeninas e velhinhas. Subir às 7 colinas e sentir que subi ao paraíso. Comer pastéis de nata com canela às carradas sem ter medo de morrer de colesterol. E pela noite escalar ao bairro mais alto que os sonhos e perder-me pelas "avenidas" de 4 metros de largura, empurrar este e aquele, para poder chegar ao destino que não é nenhum porque este bairro é assim...sem destino "vou deixar a rua me levar, ver a cidade se acender,a lua vai banhar esse lugar e eu vou lembrar você". Ficar deslumbrada com a quantidade de charme masculino que se produz na Lusofonia e, por fim, rumar a casa, exausta mas feliz, cansada mas com vontade de ver o Sol nascer e reflectir-se nas águas do namorado de Lisboa: o Rio Tejo.

Bom, agora que vos contei tudo isto posso admitir que talvez não tenha sido um milagre,porque afinal de contas eu não acredito mesmo nessas coisas, estava só armada em diferente. Parece-me talvez que estivesse a padecer do mal necessário chamado SAUDADE.

E agora que saciei a minha SAUDADE, a minha ânsia de estar naquele que considero o país mais interessante da Europa, sinto que já estou melhor, Obrigada.


*acabei de criar esta expressão. os direitos de autor são meus!!!

Eléctrico 28

Ainda a propósito do concerto da Cesária+ Bonga

Esqueci-me de partilhar convosco que o que mais me impressionou no concerto da Cesária Évora foi a mescla alegre, pacífica e vivida como algo natural, entre brancos, negros e mulatos, todos unidos pelo sentimento da música.

Não é muito comum em Portugal. Oxalá fosse sempre assim.

Luz Verde em Madrid


Em Madrid existe o hábito saudável de esperar pelo semáforo verde para atravessar a estrada. Mesmo que não venham carros, mesmo que a rua esteja deserta, os madrileños param.

Ora, eu acho esta atitude digna de um Nobel de cidadania contudo, sendo eu portuguesa, este é um hábito "que me estranha mas que não se me entranha"...

Ontem, ia alegremente a atravessar a estrada com o semáforo vermelhíssimo, numa rua quase deserta da Chueca, quando oiço atrás de mim uma voz de desenho animado a dizer " Oh mãe aquela senhora está a atravessar a estrada com o semáforo vermelho...". Olhei para trás para ver quem era o iluminado de palmo e meio e a mãe pediu-me desculpa. Eu, cheia de vergonha e com vontade que o chão, por milagre, se abri-se para eu me esconder, devolvi-lhe as desculpa e disse que o "rodinhas baixas" estava coberto de razão.

E esta hein? Afinal vale a pena sermos mariquinhas com as crianças. Eles depois devolvem-nos as mariquices com atitudes inteligentes como esta. E a Sociedade fica a ganhar.

A tradição ainda é o que era

Hoje enquanto fazia o almoço lembrei-me que a minha mãe, até há pouco tempo, tentava convencer-me a usar uma cabeça de alho contra o mau olhado, na minha mala do dia-a-dia . Confesso que me deixei convencer algumas vezes o que resultava, sempre, num cheiro absurdo cada vez que abria a mala para tirar alguma coisa. O costume do alho na mochila foi-me incutido ainda na adolescência e, às vezes, entre gargalhadas, fui alvo de piada, quando os meus colegas, casualmente, se deparavam com o estranho ornamento "Oh Sónia posso levar isto para a minha mãe fazer o jantar??" (que saudades destes tempos da tshirt billabong e ténis airwalk)

A minha mãe tem também outros talentos de magia branca que aplica em contexto familiar: cortar o bicho (o mais bizarro de todos) e, numa tigela cheia de água, coloca azeite para ver se as manchas de azeite se juntam para comprovar outra teoria sobre o mau olhado.

A minha avó idem idem. Também tinha umas teorias muito engraçadas.Entre as quais consta a proibição de comer açorda, melância e vinho tinto (reparem no pormenor de ser tinto e não outro qualquer) durante os dias de menstruação, assim como não lavar a cabeça e evitar o banho porém, a mais inesquecível, e que me faz ficar com pele de galinha e um tornado de saudades e uma angústia muito grande por saber que o tempo já não volta atrás, era o ritual que a minha avó tinha, aprendido com a sua avó, de espreitar para debaixo da cama para ver se estava o "velho"!! (estou-me a rir muito). Considerando que os velhos são todos barrigudos, têm problemas de articulação e ressonam e que a cama da minha avó tinha apenas cerca de 20 cm de espaço entre a cama e o chão, afinal de contas que velho poderia ser este???

A minha Tia Bia, que tem sido bafejada pela má sorte sem no entanto se esquivar a dar e receber kilos e kilos de carinho, quando começa a rir sem parar concluí com a frase "ai que Deus nosso senhor castiga com um dia de tristeza, cada dia de alegria e de gargalhada" (algo assim)

E a minha Tia Alexandrina costumava ter um chá milagroso, plantado no quintal junto ao poço, que curava as dores menstruais...

Tenho pena de ter crescido só entre mulheres. De não ter tido no meu espaço familiar mais próximo um avô ou um tio cheios de ideias absurdas .Gostava de ter conhecido as histórias dos lobisomens que aparecem em arbustros e dos javalis nas malhadas caçados por homens bravos.

As tias, as avós e as mães (sugiro a propósito a leitura do livro de AngelesMastreta , Mulheres de Olhos Grandes) que embora, inconscientemente, nos educaram com alguns monstros culturais que por vezes nos bloquearam, também nos deram matéria cultural para mais tarde, quando nos tornámos adultas e um pouco perdidas na vida, nos sentirmos parte de alguma coisa: de alguma casa, de alguma aldeia, de alguma cultura, de algum momento de partilha entre gerações, de algum cheiro a Verão e a roupa guardada entre sabonetes antigos.

É por tudo isto que eu sei que a Vitória, entre bonecas, colecção de sabrinas e pinotes com o mano, um dia vai sentir esta alegria de sentimento de pertença que eu senti enquanto partia os alhos para fazer os espinafres, ao almoço. Porque tem quem lhe conte estas histórias absurdas que nos fazem a todas um pouco mágicas e "bruxas de cozinha".

quarta-feira, 12 de maio de 2010

E o Nobel da Paciência, Persistência e Atitude vai para...



...o Manu dos chouriços....

Quando comecei a escrever para o blog falei dele. Hoje volto a mencioná-lo porque me enche de orgulho e emoção poder gerir (pouco) o meu tempo com gente desta categoria.
Pela persistência e pela crença que o caminho mais fácil não é seguramente o que nos faz mais felizes, finalmente o Manu tem os louros do tempo e trabalho que dedicou ao que o faz feliz. E estou segura que não será mais um "coça a micose"/ "espera AVC"!

Vou continuar o meu "freaky caminho" e lembrar-me do caminho tortuoso que o meu amigo fez até ao chegar ao pódio. YES,WE CAN

desculpa lá a emotividade, já sei que não gostas destas coisas mas não me consegui conter

Vulcão Eyjafjallajoekull

Por causa do espirrozinho do vulcão islandês fui obrigada a sentar o meu rabo durante 12 horas num autocarro entre Lisboa e Madrid...Na verdade o que me aborrece não é o vulcão mas sim o absurdo tempo de viagem entre as 2 capitais vizinhas separadas por escassos 600KM.

Menos mal que a quase totalidade da viagem foi feita de dia e pude apreciar a beleza medieval de um montão de pequenas vilas e aldeias espanholas perdidas no tempo...


Trujillo, Cáceres,Espanha
Fonte:olhares.pt

Badajoz, Espanha
Fonte: olhares.pt



Cáceres, Espanha

Eu Fui

E parece que o Benfica é o novo campeão!
E eu estava na festa popular mais emotiva de Portugal... (ainda bem que o Vulcão da Islândia está activo)


Cesária+ Bonga+Lisboa


Cesário e Bonga, Lisboa, 10 de Maio de 2010
Fonte: Correio da Manhã


ADOREI, ADOREI, ADOREI

É um privilégio estar numa sala de espectáculos tão charmosa como o Coliseu dos Recreios e ver ao vivo uma deusa,um ícone da worldmusica e uma digna representante da cultura da pérola africana perdida no Atlântico, Cabo Verde, e simultaneamente ver e ouvir músicos tão bons que transmitem alegria e conhecimento. A Cesária tem magia e o que canta faz tanto sentido e soa tão bem naquela que é, para mim, a segunda língua mais bonita do mundo. N´TA SABIA.

E o melhor veio no fim: o Mestre Bonga. Estou definitivamente rendida a ele. Sou fã e ponto final. Se tivesse de novo 15 anos poria um poster dele ao lado meu ídolo perfeito, Axl Rose.
E até já gosto, aceito e riu-me com as suas piadas machista e elogios às mulheres em geral.

Bem haja ao Adán por me ter cedido o seu bilhete. Um cavalheiro em vias de extinção.
Que bom o abraço à minha amiga Nélia
As melhoras à Cesária Évora.

sábado, 1 de maio de 2010

Passeio a Valência



Passei uns dias de nostalgia balcânica na companhia dos ex-SVE, Guillermo, Laura e Juli.
E melhor que tudo foi a sensação de mergulhar pela primeira vez no Mediterrâneo. Para eles a água ainda estava fria mas para mim estava a escaldar (consta que no Verão é uma "sopa" quente). Estava perfeito. Quero voltar a estar nesta piscina azul marinho de águas tranquilas.

Fiquei, também, bastante bem impressionada com a beleza do bairro Carmen e a Cidade Das Artes e Valência.

Vou voltar!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Home sweet home

Estou quaseee aí...

De volta ao velho Rock n´Roll e de volta a casa

"Fiel a um amor antigo...acabo sempre por voltar à casa a que gostaria de poder chamar um lar, entre euforia do regresso e o cansaço da viagem...digo entao BOM DIA LISBOOOAAA..."

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A Gran Via faz 100 anos

25 de Abril de 2010




Pelo segundo ano consecutivo nao estive em Lisboa para as comemoraçoes do 25 de Abril.
Para mim é muito mais que um feriado e um dia bonito para estar no Centro Comercial. É uma alegria, um privilégio. É a minha festa nacional favorita. E nao me refiro a partidos comunistas, sindicalistas e outros tantos que sempre rimam com maricas. Falo da música que une as pessoas e das ruas coloridas pelo vermelho dos cravos. Do significado que tem nao só para Portugal mas também para as antigas colónias que, com razao, almejavam a Independência.

O 25 de Abril faz-me feliz e eu vou tentar passar essa alegria às geraçoes vindouras sem, no entanto, os julgar, caso nao se sintam interessados no assunto.

"Já lá vai Pedro Soldado Num barco da nossa armada E leva um nome bordado Num saco cheio de nada Triste vai Pedro Soldado ..."
Manuel Alegre

E agora, nuestros hermanos, los gallegitos, a cantar "Grândola, Vila Morena":

Pájaro de Papel




Pájaros de Papel é um filme magnífico, inteligente e sensível.
Retrata a vida do pós-guerra civil em Espanha, no seio de um grupo de artistas de teatro.

A forma como eram perseguidos por defenderem ideiais de Liberdade espelha a arrogância subjacente do Regime Totalitarista.E ,todos, movidos pela cobardia formam polícias treinadas para odiar e perseguir que, irónicamente, mais tarde, acabam por se tornarem no Calcanhar de Aquiles do sistema Totalitário. A violência que espalham acaba sempre por se tornar no veículo de consciência das multidoes.

Que o espírito de contestaçao nunca morra!

Saudade, segundo Neruda



Há momentos em que vale a pena para o tempo. Por exemplo, quando sentimos o estômago do cérebro apertadinho de felicidade quando estimulado por uma conversa interessante.

Saudade -Qué será?... yo no sé... lo he buscado en unos diccionarios empolvados y antiguos
y en otros libros que no me han dado el significado
de esta dulce palabra de perfiles ambiguos.

Dicen que azules son las montañas como ella,
que en ella se oscurecen los amores lejanos,
y un noble y buen amigo mío (y de las estrellas)
la nombra en un temblor de trenzas y de manos.

Y hoy en Eca de Queiroz sin mirar la adivino,
su secreto se evade, su dulzura me obsede
como una mariposa de cuerpo extraño y fino
siempre lejos -tan lejos!- de mis tranquilas redes.

Saudade... Oiga, vecino, sabe el significado
de esta palabra
blanca que como un pez se evade? No... Y me tiembla en la boca su temblor delicado. Saudade..

Pablo Neruda

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Crise Grega?????

Faz agora 1 ano que eu e mais 4 espanholitas estávamos em "crise" Grega...uma crise cheia de encanto, sorrisos e História...

Há boa maneira ibérica só agora chega o video:

video

crónica antecipada de mais um fim-de-semana


(Parque El Retiro, Madrid)

Depois de me ter informado dos preços de autocarro ida e volta, no mesmo dia, para Évora e ter constantado que sao um roubo decidi ficar em Madrid este fim-de-semana.
Nao tenho vontade. Por 1001 motivos, o tempo em Madrid passa demasiado devagar. Cada hora tem 100 minutos multiplicados por 100 horas que tem cada dia. E eu, vejo o tempo passar, sem vontade de passar com ele...enfim, padeço de uma tremenda falta de animo que, espero, seja momentânea...Mesmo assim, nao deixo de tentar fazer boas memórias e sei que um dia me vou sentir péssima por ter permitido este vendaval na minha vida.

Hoje à noite, motivada por ímpetos de PAZ, aceitei o convite do meu companheiro de casa para partilhar o jantar com ele. Claro, pelo sim, pelo nao, convidei também uma amiga minha nao vá o Senhor Nosso Deus tecê-las...Depois do jantar, vou com um grupo de chicas pela La Movida e espero encontrar-me com um dos grandes vultos da minha História recente: Adan Cassan. Um argentino, radicado em Barcelona e residente em Lisboa há já 3 anos com quem partilho longas horas de conversa e (in)confidências.



No Sábado vou tentar reaprender a andar de bicicleta. Dizem que nunca se esquece mas eu tenho as minhas dúvidas e, depois, ao final da tarde vou-me encontrar com um jovem arquitecto que aprende português nas caixas dos cereais de pequeno-almoço. E como aprende, ora vejam:

"Olá, Sónia:

Muito obrigado pela clase do portugués (mais espero que sea gratis).

Voçe sabe onde é que aprendo muitas palabras? Nas caixas dos cereáis!

Ja sé decir: milho, floco, leite, açúcar .... o vosso é um idioma muito saboroso.

Aprendo mais palabras no pequeno almoço que nos libros do Saramago o Lóbo Antunes, jeje."



Como estou apaixonada pelo cinema espanhol vou tentar ver o filme "Que se mueran los feos". Parece-me divino além de ter muito bons actores.

Também me sinto muito motivada para fazer caminhadas. Além de me tranquilizarem bastante o espírito o efeito na cintura é notório :)

Segunda-feira conto-vos. Contem-me vocês também. Até lá BOM FIM-DE-SEMANA







¿¡E esta hein?!

O Facebook tem destas coisas...estava eu a actualizar-me das novidades nos muros dos "amigos" quando surge, nas sugestoes, uma tal Sónia Garrido...fiquei chocada e mal disposta.
Pensava eu que Sónia Garrido só havia uma, eu e mais nenhuma...

segunda-feira, 19 de abril de 2010

uma questao de quadradinhos



Ainda estou para saber como é que algumas pessoas conseguem fazer durar 1 tablete de chocolate mais de 1 mês...Ora tiram um quadradinho, ora tiram outro...vao embrulhando e desembrulhando lentamente a prata, comem o quadradinho devagarinho como se tivessem pena de o comer. E pior: conseguem raciocinar normalmente e estar em casa tranquilinhos sabendo que dentro da gaveta têm tamanha preciosidade.

Chegam a casa, depois do trabalho, e a primeira coisa que fazem é tirar os sapatos e depois fazer xixi, vestir o pijama e sentarem-se em frente ao PC a actualizar a caixa de correio. Entretanto já passaram dezenas de vezes em frente à tal gaveta que contem o "tesouro" e nem sequer se sentiram provocados...

MAS COMO?

Claro que estas pessoas nao têm borbulhas como a que eu tenho hoje entre as sobrancelhas( e também nao têm remorsos...)