sexta-feira, 28 de agosto de 2009

in Vogue




Suscitada a curiosidade pelo post que li no blog da prima Lolita decidi comprar a Vogue portuguesa.

Lembrei-me das teorias da Carrie Bradshaw relativas à revista e, senti-me, por fim, Poderosa.
Bom, a desilusão começou logo na falácia relativa ao preço/brinde, i.e, ao comprarmos a revista, compramos automática e involuntariamente , por mais 1€, o brinde. Na edição de Setembro uma pochet de palhinha muito gira mas que, não combina com nenhuma das minhas roupas...

Seguiram-se as reportagens fraquinhas e as propostas de moda muito Fashion, demasiado.
Existe a vertente criativa dos criadores de moda, o show-bizz, a festa das passereles e, depois a griff para as mulheres reais. Mulheres que independentemente de estarem sempre impecáveis, caminham na rua, vão ao supermercado, entram e saiem do Metro.
A Vogue limita-se a mostrar a moda que é apresentada nas grandes Semanas da Moda mundiais. Até mesmo a edição especial do “must-have” apresenta sugestões que não estão ao alcance das Carries e das Joanas e Carolines pelo preço e lado pouco prático não obstante, porém, a classe, beleza e qualidade.


Apenas me deixou satisfeita saber que as calças de pinças e cintura subida estão aí por mais uma estação. Confesso que adoro o modelo. Embora não disfarçem as ancas, adelgam a cintura e tornam-nos mais femininas.


Vou continuar a prestar atenção à Máxima. Adoro as propostas que fazem- do sonho à realidade- gosto das reportagens e têm óptimas crónicas. È mais barata e, se quisermos, não temos de comprar os brindes.

Bollywood


N.A: Este não pretende ser um post xenófobo ou com pretensões de denegrir raças, credos ou géneros.

Quantas de nós, mulheres, não nos perdemos já em sonhos cor-de-rosa, azul marinho ou verde tropa, com homens,militares de profissão?
Lembram-se de Richard Gere em “Oficial e Cavalheiro”? E de Ben Affleck em “Pearl Harbor”?
Pois continuem a sonhar porque cinema, infelizmente, é apenas cinema.

Há algumas semanas, estava sentada na Praça D. Pedro IV e eis que os vejo surgir. Eram muitos, não caminhavam em câmara lenta, nem se ouviram sininhos e plim-plim-plins.
Músculos?1,95m?Sorrisos sedutores? Qual quê... Eram oficiais da Marinha indiana e pareciam saídos de uma comédia bollywoodesca de baixo orçamento.
Desde os bigodes, cabelos médios à fraca figurinha tudo era pejorativamente perturbador.

Oh tirem-me deste filme...


A Hora do café



O “tomar cafézinho” tornou-se imprescindível em diferentes contextos e culturas.
É um gesto que, desde há séculos, é sinónimo de cortesia, hospitalidade e saudade acompanhado do prazer que o sabor e cheiro do café provocam,com a mais-valia de ser uma industria ainda bastante artesanal. Tudo no café me agrada.
Em Portugal gosto sobretudo do preço e qualidade. Se posso consumo café dos CPLP. São óptimos e permitem-me contribuir para a ecónomia de países que gosto particularmente e com os quais me identifico.
Contam-se pelos dedos das mãos as vezes em que pedi 1 café ao balcão e o digeri num trago. Não gosto desse gesto. Demonstra alguma falta de auto-estima. Sentarmo-nos a tomar café deve ser aproveitado como espaço de reflexão estejando sós ou acompanhados.

A maioria dos post que publiquei neste blog foram escritos em cafés.
Tenho saudades do Ethnic Café. Sempre que me sentava, o Matheus vinha ter comigo e desenrolava um festival de simpatia e hospitalidade. Sentava-se na minha mesa e expressava-se com as mãos. Ali, eu observava a vida, via entrar e sair gente. Se algum dia escrever um livro, por certo, terei como inspiração alguns dos personagens reais que por lá vi desfilarem(que será feito do arqueólogo aventureiro??).
Também o mercado barulhentno de Sofia de onde vos escrevi (quando ainda gostava de Sofia) e um outro em Madrid onde me inspirei em ideias de apaziguamento ibérico, em parte inspiradas nuns quantos abraços desfeitos.




Em Portugal tenho descoberto nos últimos meses uma série de espaços interessantes onde nos podemos sentar e usufruir do espaço envolvente.
Há pouco tempo entrei pela primeira vez n´A Brasileira. É um sítio onde se deve ir mas não é obrigatório. Vale a pena pelas cadeiras lindíssimas e velhas.
E o meu tempo, leituras, escritas e conversas são passados entre as máquinas de costura d´O Fábulas, junto à rua Ivens(embora me canse horrorores os critérios de utilização livre de Wi-Fi e a forma como o chefe da sala trata os colegas ); na Travessa do Carmo perco-me entre sonhos, cafés e letras no Vertigo Café, uma antiga mercearia transformada num espaço acolhedor; na Panificação do Chiado, na Calçada do Sacramento, compro bolinhos de canela que tanto me lembram a minha especial e doce avó; no Il Café di Roma dos Armazéns do Chiado perco-me com a vista para a Encosta do Castelo, Rio e Castelo de Alcácer do Sal enquanto me delicio com um “soberbo”(gelado com café); do Terraço da Polux fico deslumbrada com a proximidade com o Elevador de Santa Justa, as Ruínas do Carmo, os telhados cheios de pormenores e, entre eles, a cabeça do D.Pedro IV a espreitar até ao Terreiro do Paço.
Junto ao Largo de S.Carlos existem 2 espaços óptimos: o café austríaco que vale a pena pelo espaço amplo e tranquilo e, do outro lado do Largo, a esplanada do Auditório Mário Viegas. Este é também, na minha opinião, um dos cantos mais bonitos e românticos de Lisboa. Adoro a escadaria (quase) limpa, com floreiras a cair das janelas, o candeeiro clássico e a vista para o histórico teatro e para a casa onde nasceu o Pessoa (transformada em escritório de advogados).
Na Rua da Vitória, na baixa, há A Outra Face da Lua. Um espaço vintage, onde se pode tomar café num cenário de anos 50/60 e/ou espreitar as “novidades” das roupas em 2ºmão que o pronto-a-vestir, no mesmo espaço, tem. A sensação é de estarmos numa peça de teatro ou numa viagem ao tempo do Estado Novo.
Ainda na onda vintage,junto ao Beco do Quebra-Costas, nas traseiras da Sé, há o Pois Café, decorado com candeeiros de largos abajours floridos e sofás que lembram as alcatifas dos anos 80.

Desde as sugestõs que vos apresentei passando pela esplanda com chair-longs do Campo Pequeno ao Chill-Out em puffs, na Enconsta do castelo, tudo vale a pena. O que não vale- e está OUT- é ficar em casa a pensar como a vida é triste e que as coisas boas só acontecem aos outros.
É verdade que como seres humanos, somos institivamente ambiciosos e invejosos mas a vida é, sobretudo, feita de pequenas delícias e momentos que, todos juntos, formam um Moisaico incrível.
Aproveitem os últimos cheiros de Verão, os últimos sorrisos dos portugueses e enchentes de turistas bonitos. O Outono, felizmente, já está ai à porta. Trará as folhas tricolor desmaiadas na Calçada, a vontade dos casacos de lã, as idas ao teatro, os serões caseiros e,acima de tudo, a Nostalgia portuguesa.

Deixem-se levar. Ponham um Fado no vosso MP3 e aproveitem esta cidade tão linda, tão feminina e jovial, tão senhora de si e dona de encantos mil.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

A hora do filme



A minha vida ainda se divide em 3 fases:

1)O pré-Macedónia;
2)Na Macedónia ( e no Mundo)
3)Pós-Macedónia

Na fase 1 (quando ainda sabia falar português fluentemente e conseguia escrever sem dar muitos erros ortográficos) estava bastante afastada do cinema. Às vezes via uns filmes mas tinha sempre outras prioridades. Uma palermice! O melhor era que quando via um bom jamais me esquecia dele.

Na fase 2 iniciei-me nos filmes sem legendas em português. Percebia menos de 30% do que se dizia e, por isso, prestava mais atenção à representação.
Nesta fase vi bastantes filmes alternativos da Islândia, Républica Checa, Macedónia...
Foi também nesta fase que o meu querido amigo Nenad Trpovski me deu a conhecer o Lisbon Story. Fantástico! Para mim um filme não muito interessante pela estória que retrata mas divino na forma como interage com Lisboa e a fotográfa.
Nesta linha é importante ver também o Fados, de Carlos Saura e Sostiene Pereira,de Roberto Faenza.

Na fase 3 tenho-me esforçado para pôr em dia a visualização de clássicos, conhecer novos realizadores e, sobretudo, reiniciar o prazer de usufruir de 2 horas relaxantes numa sala escura de cinema.
Vi o Elegia e amei. Vi toda a filmografia do Almodóvar e amei ( a Penélope Cruz é, sem dúvida, muito má actriz). Vi o Crush e amei (qual o caminho?).

Ontem fui pela primeira vez ao cinema com os meus formosos e soberbos sobrinhos e amei. É fantástico ver um filme pelos olhos de uma criança. Eles imaginam coisas e não têm receio de partilhar mesmo que seja uma verdadeira tontice! Com eles sinto sempre que o mundo é uma obra de arte e que eles são os artistas, que falam sem receios, nem conhecimento de causa. Apenas sentem e expôe.

Bem haja aos irmãos Lumiére e aos artista em geral!

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

A hora do livro


O único aspecto que aprecio no facto de não ter internet em casa é o tempo que passei a dispensar, novamente, à leitura: mais e melhor.
Lugares comuns à parte ler é mesmo um prazer. Sente-se um formigueiro na boca do estômago e, quando chega ao fim a última página, sente-se um vazio nos dias seguintes.

Lembro-me que quando acabei de ler O Testamento do Sr.Napomuceno da Silva Araújo, de Germano de Almeida, senti que perdera algo. Instalou-se, até, uma angústia que me acompanhou quase 1 semana.
Sentia saudades profundas do velhote catita. Quis ter o poder de o transportar para uma taberna de São Vicente e sentar-me com ele sabendo, à partida, que essa seria uma situação improvável tendo em conta o carácter do Sr.Napomuceno.
Quando acabei de ler O Rio das Flores, de Miguel de Sousa Tavares,tive insónias. Fiquei tão perturbada com o final – injusto por um lado, honesto pelo outro- que jurei que nunca mais iria ler nada do autor. Ele não tinha o direito de me partir o coração.
O mesmo se passa com o Fernando Pessoa. Por vezes tenho de me afastar da sua obra e vida para não me sentir perdida. Para controlar as saudades que sinto de passear de mão dada com ele e passar-lhe a mão no cabelo até que ele perceba que não está sózinho, que estou com ele e que, graças a ele, aprendi a controlar a minha metafísica e sou feliz.

Assim, prossigo com as leituras dos livros que requisito gratuitamente nas bibliotecas municipais de Lisboa.
Iniciei-me na literatura espanhola mas ao fim de 2 livros desisti. As traduções estão muito más.
Continu a minha relação de estupefação com o Saramago (caminhamos a passos largos para uma relação de deslumbre muito embora eu continue a achar que ele não percebe muito de pontuação e escreve assim só para disfarçar!).
E, claro, já não posso fugir ao prazer que Lobo Antunes me proporciona. Ele é tão humano que me magoa. Escreve tão simples e bem e retrata tão bem o lado cinzento de cada um de nós que entendo porque já foi nomeado para o Nobel da Literatura. Poderia ser fotógrafo.
O mundo precisa de escritores assim. Que ao lermos os seus livros nos façam sentir que somos, também nós, personagens daquela história, sem nos perdermos nas duplas adjectivações e outras tretas da estética literária.

Literatura é sonho. Para quê etiquetas elitistas? Raios que os partam, às etiquetas. (esta foi à Lobo Antunes).

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Primeiro vestígio arqueológico pós-Macedónia



Olá !Olá

Encontrei um português ex-SVE na Macedónia,que vive em Portugal.
Já entrei em contacto e aguardo resposta.

Também agora sugiro que não percam as cenas dos próximos capítulos.

Por coincidência também se chama André. Desconfio que os Macedónios pensam que é o nosso único recurso em nomes masculinos!!

Ajde Macedónia. Ce gledam (já com algumas Saudades. Há horas que mudam as nossas vidas)

terça-feira, 7 de julho de 2009

Porompompero



Prezados leitores

A imaginação continua em grande, tal como a preguiça e a falta de tempo.
A minha mente continua a passear, por enquanto e, intensivamente, em Lisboa, mas a partir de Janeiro , e durante 6 meses, levar-vos-ei por passeios a Sevilha. Vale chicos?

Não percam as cenas dos próximos episódios.

Até que a voz me doa

Quem nunca fez listas que ponha o dedo no ar e fique de costas para a turma com umas orelhas de burro. É o castigo pela incapacidade de sonhar!

Lista de coisas que quero fazer até ao fim da minha vida:

-Aprender a cozinhar saladas apetitosas e coloridas
-Aprender a costurar
-Gostar de desporto
-Saber escrevercomo ninguém
-Saber colocar a voz perante o público
-Desenvolver capacidades na área da floricultura
-Viajar
-Viajar com os meus sobrinhos
-Tocar Viola




Lista de viagens que quero fazer até ao fim da minha vida:
-Açores
-Amsterdão
-Paris
-Itália (outra vez)
-Cabo-Verde
-Marrocos
-Islândia
-Macedónia
-Arquipelago dos Bijagóz
-Nova York
-Egipto
-Vilnius
-América Central
-India
-Japão
-Barcelona
-Patagónia (a Grande, a tal viagem da vida)


National Geographic, a Sérvia e Eu



A edição 100 da National Geographic portuguesa, Julho de 2009, tem na página 69 uma reportagem fantástica do jornalista norte-americano Chris Carrol, intitulada “Os Sérvios, uma Nação divisível”. Não que seja uma obra-prima do jornalismo mas porque descreve em palavras e imagens exactamente o meu ponto de vista sobre os Balcãs, a ex-Jugoslávia e a questão do Kosovo: um misto de amor e respeito intenso que vem da alma com uma profunda confusão sobre os factos, mais a frustação de não entender por mais que pense, reflicta e questione.
Não controlei a emoção ao ler as palavras de Carrol. Com palavras e imagens ele mostra aquela que foi a minha realidade durante 8 meses. Ele percorre as mesmas ruas, vê as mesmas gentes e depara-se com as mesmas questões perante uma sociedade tão fortemente dividida por questões étnicas.
Oxalá a vida me leve de novo à ex-Jugoslávia

(cliquem no título para terem acesso à reportagem)

Sim, eu sei que às vezes os momentos são tão somente isso: Momentos.
São para ser vividos com toda a intensidade e, posteriormente, lembrados com nostalgia mas sem segundas intenções. Sim, eu sei isto. Afinal quando amigos me pedem conselhos é esta a filosofia que lhes vendo. Acrescento ainda que devemos continuar o caminho orgulhosos porque temos mais uma história bonita para contar e que, em ultima análise, é melhor ter vivido um verdadeiro momento do que uma realidade que não nos faz feliz. Para terminar digo que o tempo tudo cura.
Ora, claro está, que eu acredito, por experiência, nestes conselhos. Acredito mais ainda quando não sou eu a precisar deles. Não quer dizer que eu não saiba que o tempo é um grande aliado, não quer dizer que eu não ame intensamente as minhas histórias...porém é tão dificl esperar que o tempo venha e nos ajude a arrumar as nossas próprias memórias no Passado.
Assim, sigo saudosa dos teus abraços, do teu intenso calor humano. Relembro consecutivamente um momento em que, já sendo dificil voltar atrás e ceder às tentações da carne, me disseste “adoro este poder latino”, e outro em que transtornado pela intensidade do momento, interrompeste um beijo, agarraste o meu rosto entre as tuas mãos, disseste entre um palavrão de incredulidade “amo-te, amo-te” e ainda um outro em que caminhávamos lado a lado e tu, depois do meu comentário ao teu convite para jantar na tua casa, me beijaste como se o mundo fosse acabar amanhã. Eu disse-te “agora sim, estas-me  seduzir”. Desfilo estas recordações e vou-lhes acrescentando diálogos e conversas que não chegámos a ter.
Sei que um dia destes hei-de acordar melhor, sei que o tempo também me irá beneficiar, sei também que não há espaço nos nossos mundos para esta relação contudo não posso deixar de sentir uma saudade que me desespera...Foste um grande momento. Oxalá te transforme rápidamente nisso, apenas nisso.

segunda-feira, 6 de julho de 2009


Quando as vi a primeira vez achei-as nada atraentes. Pensei, para comigo, como é possível um homem com uma alma tão brilhante, tê-las neste estado de pequenez. Tinham até um ar desengonçado, meio torto e desproporcional.
Fiquei desapontada.

Quase decidi ali que não queria estar com ele por causa delas. Felizmente, por necessidade ou por uma atração fatal que sentia pelo seu brilho interior, decidi ignorá-las, pô-las de parte, como um acessório de inferior importância e parti à conquista deste homem que por algum motivo me fascinava.

Falo das suas mãos.O meu encontro com elas não foi, com toda a certeza, um Amor à primeira vista porém 1 ou 2 tentativas e revelaram-se o elemento mais marcante da nossa relação e o que me fazem recordá-lo com uma saudade sem fim.

A suavidade com que pousavam no meu corpo quando era hora de descansar, sem antes,porém, me terem tocado com insaciedade, curiosidade, decisivas e inesquéciveis, quando eu queria estar acordada -e ele também.

E quando percorriam o meu rosto e eu as sentia a percorrem a minha alma. Quando se detiam no meu cabelo acompanhadas pelo seu olhar que me esmurrava o estômago e me acendia as entrepernas.

Se me guiar pelo raciocínio confesso-vos que,inicialmente, não gostava da sua maneira de beijar contudo, hoje, recordo aquela urgência de tocar lábios e linguas e felicidade e desasossego e almas como algo inesquecível. E as suas mãos a acompanharem-no, como a Lua acompanha a noite e o Sol o dia. A percorrem a minha pele. Pousavam certeiras na minha cintura inquieta. Primeiro eram como uma pluma, lentas e leves, depois eram a larva do vulcão em que eu me transformava.

De todas as mãos que conheci estas foram as que menos espelhavam a promessa do que traziam consigo.

Nunca lhe disse como, no fim das contas, as suas mãos, parte do todo que ele era, significaram para mim.
Um dia, se ele,finalmente, responder aos meus emails, digo-lhe, sem rodeios, que quero casar com as maõs dele.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Lisboa, queres casar comigo?



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“No Castelo ponho o cotovelo, em Alfama descanso o olhar e assim desfaço o novelo, de azul e mar”

Observo Lisboa. Sinto-a dentro de mim.Hoje é feriado e as ruas estão cheias. O Sol e o calor apareceram para dizer aos turistas de pele encarnada, que enchem as ruas, que são muito bem-vindos e que voltem sempre.
Poderia passar o resto da vida a percorrer estas ruas e ficar sempre surpreendida com os detalhes desta cidade-capital. Lisboa é diferente. Acolhe-nos e faz-nos sorrir. Há sempre uma janela nova, num prédio velho, com floreiras vestidas de sardinheiras coloridas. Aqui e acoli vejo varandas com mantas penduradas. E ainda as cuecas branco imaculado de uma velhinha, penduradas numa corda. Já vi muitas cidades. Já visitei 8 capitais e nunca vi (ou nunca reparei) esta forma sui-generis de dizer “Welcome to my country”.
Compreendo porque muitos não gostam dela. Tem muito pouco de capital de um país ocidental e desenvolvido. Não que seja inferior mas é como uma grande aldeia. Contudo quando se ama Lisboa, ama-se com a alma toda.E cuida-se. Afinal Lisboa é boa e, finalmente, faz novamenta parte do meu dia a dia.
Do meu 4º andar, dum prédio pombalino, vizinha do Fernando Pessoa,deito-me com as estrelas e acordo com o rio. Isso já é suficiente para me fazer sentir que todas as minhas decisões valeram a pena porque o meu destino trar-me-à sempre aqui.
Talvez sejam tiques de pseudo-intelectualismo mas, quando penso em Lisboa, penso-a como uma cidade-artista alternativa e a mim sabe-me bem estar entre artistas . Não aspiro os seus talentos, apenas a sua companhia.
Esta cidade é a minha namorada e, oxalá fosse portátil para a poder levar comigo para todas as outras cidades onde ainda hei-de viver, porém um dia ganho coragem e peço-a em casamento. Ficamos aqui juntinhas e abraçadinhas a contemplar o Rio, à espera que venha o homem das castanhas. Compramos postais ilustrados e enviamos aos nossos amigos. Vamos a Belém e comemos um Pastel e, ao fim do dia, sentamo-nos no sofá, bebemos um chá de Alecrim, tapamos as pernas com uma mantinha e fazemos amizade com as páginas de um qualquer livro. Na saúde e na doença, todos os dias das nossas vidas até que a morte nos separe.



domingo, 7 de junho de 2009

Votar: eu voto, tu votas, ele vota, nós votamos....



Sem falsos moralismo nem discursos de baby-siter-de-gente-crescida eu VOTO. Não falho uma!!
Acredito piamente que faço a diferença e não me importa que me digam que numa Democracia todos falamos mas ninguém nos ouve. Pois falemos.Falemos muito e usufruamos desta Liberdade que nos é concedida. Sejamos civícos!

Não é Democracia, nem cívico ficar em casa porque os políticos"são todos iguais". Se assim é e se nós, voz vernácula do povo, somos melhores e temos propostas porque nos acomodamos ao que consideramos estar errado e ficamos sentados nos sofá qual Velho do Restelo na sua poltrona.


Concordo que a campanha foi do mais medíocre de que há memória. Com a lavagem de roupa suja e discurso de comadres entre TODOS os partidos fiquei pouco mais esclarecida sobre o projecto europeu mas ainda assim é de louvar o crescente aparecimento de movimentos cívicos

Constam na minha lista de heróis Senhoras como Milicent Fawcet que em 1897 fundou a União Nacional pelo Sugrágio Feminino.Constam também os clandestinos e presos políticos do pré-25 de Abril que,entre outras situações que tocam o limite humano, se viam obrigados a esconder no anús tubos metálicos que continham informações preciosas à nossa Democracia.Temos então uma Democracia de merda? Sim, se formos democratas de merda...Tudo não passa dum reflexodas nossas atitudes!



domingo, 31 de maio de 2009

Viagens na minha Terra e na terra dos outros




Há falta de uma ocupação intelectual,depois de 1 mês nesta anarquia, sem trabalho, sem perspectivas, a sofrer os efeitos desta crise que nos mata à traição apetece-me meter-me numa mala e viajar por aí e por aqui....

Viajar! Perder países!Ser outro constantemente,Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!
Não pertencer nem a mim!Ir em frente, ir a seguirA ausência de ter um fim,

E a ânsia de o conseguir!
Viajar assim é viagem.Mas faço-o sem ter de meu

Mais que o sonho da passagem.O resto é só terra e céu.Viajar! Perder países!Ser outro constantemente,Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!
Não pertencer nem a mim!Ir em frente, ir a seguir

A ausência de ter um fim,E a ânsia de o conseguir!
Viajar assim é viagem.

Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.O resto é só terra e céu.

Fernando Pessoa




quinta-feira, 14 de maio de 2009

Lisboa,capital of Saudade




Lisbon: is poetry, is culture, is light, is music, is beauty. It is the capital of the most peripheral and oldest country in Western Europe: Portugal.

It is the city of genius writer Fernando Pessoa and Fado, sad national song, born in Mouraria – the old small block in the heart of Lisbon, built by the Moorish. In Lisbon it is possible to smell the Atlantic Ocean, the spirit of maritime discoveries from XV century, and it is possible to feel how these two things deeply influence the soul of Portuguese people, until nowadays.

There is a great range of choices in this city. In Oriental part you can find the modern city with high buildings and technology, the new Bridge Vasco da Gama and the two towers that look like two boats entering in the Tagus River. Both were built for the Universal Exhibition in 1998. In the center of city known as “New Avenues” the business world of this capital is built, as well as some of the most important universities of the EU.

And in Downtown the magic begins. Tagus is the soul of the city and more than in other parts of Lisbon, in downtown or close to it, you can feel the touch of this big grey line of water. The city would not be complete without it. It makes a perfect harmony. That’s why it’s easy to fall in love with Lisbon.

There is always something going on and the life standard is one of the cheapest in the EU. You can have a great funny night and spend less than 7 €. Moreover, it is quite safe to walk in the streets by day or night. The long nightlife starts around 3 a.m. In Avenida 24 de Julho there is a big variety of night clubs. But first of all, it is important to enjoy the old place full of pubs - “Bairro Alto”.

On Sundays, until 2 p.m., the entrance to museums and public monuments is free. On Tuesdays and Saturday mornings you can enjoy the old fair from XIII century, called “Feira da Ladra”. Over there you can purchase some second-hand things, all for reasonable price. The fair is also the best place to find Vintage articles. And in order to get there you can walk around old and small charming streets, or take the old yellow tram n. 28.

From Chiado to Belém, and from Alfama to Madragoa in Lisbon. Try to enjoy the city by walking. Just be careful with the Portuguese pavement. It’s typical, it’s artistic, it’s beautiful and it’s also dangerous for people with high heels. Do not find it weird if in the Main Street downtown, called Rua Augusta, someone offers you illegal products. Try to resist!


Sónia Garrido Faria
(article published in Voices Magazine, Macedónia www.vcs.org.mk)

sábado, 9 de maio de 2009

Há vida depois do SVE?




Há vida, há sonhos, há projectos. Ora vejam:

-Passar 1 dia por semana com os bebés
-Arranjar um emprego 6/8 horas.Evitar Call-Centers e Supermercados
-Viver em Lisboa
-Fazer o estágio no Museu Nacional do Traje
-Fazer uma alimentação equilibrada
-Fazer Hidroginástica
-Consultar um médico e fazer análises gerais. Saber o meu tipo de sangue
- Viver em Espanha ou noutro país Latino
-Visitar o Guillermo e a Laura
- Estar atenta às Pós-Graduações na Universidade Aberta
-Fazer a inscrição no Inov-Mundus, Outubro de 2009
-Comprar umas botas de Inverno
-Comprar um casaco de Inverno (ou dois, ou três)
-Maquilhar-me mais vezes
- Voltar a usar saltos altos
-Ir mais vezes ao teatro
-Viajar por tudo e por nada