quinta-feira, 28 de agosto de 2014

O mundo, Obama sucks e Gervasio Sánchez

Preocupa-me o estado do mundo. Como já comentei há algumas semanas, acho que em geral não estamos a dar a devida atenção aos actuais conflitos armados que assolam o mundo. E o mais grave é que estão a acontecer à nossa porta. É como se o nosso vizinho do andar de cima desse uma tareia na mulher e nós fossemos dormir com a consciência tranquila porque afinal “entre marido e mulher ninguém mete a colher”. Felizmente já não é bem assim e a violência é responsabilidade de todos e não apenas dos que a proliferam e dos que a sofrem.

Acho, também, que mais que indiferença, existe uma apatia muito grande em relação a tudo. Precisamos de heróis e agarramo-nos a espectros, tais como Barack Obama. Lembro-me do dia em que ele ganhou as primeiras eleições. Eu estava na Macedónia e liguei contentíssima para casa, em Portugal. Do outro lado encontrei a minha mãe estava ainda mais eufórica do que eu. Depois ganhou o Nobel da Paz e agora é o cabeçilha de actos bélicos, seguindo a lógica  da “guerra em nome da Paz”. E mesmo assim, sendo consciente desse facto, não consigo deixar de gostar dele. Porque ele é o espectro dum Herói que eu não tenho. E como eu, existem milhares de jovens da minha geração, que pressentem que algo está errado mas não sabem como agir. Porque crescemos com todos os luxos e não podemos imaginar a realidade dum jovem sírio, embora saibamos que não está nem ai para o lançamento do Iphone 6, porque as preocupações que tem dizem respeito à sobrevivência básica.

Mesmo assim não cesso de procurar uma saída para a minha apatia. Procuro informar-me, apesar da informação que me chega não ser –demasiadas vezes-imparcial. Selecciono a informação. Não acredito nem em metade do que os jornais me contam e agradeço não ter televisão. Importa-me muito mais a opinião dos heróis anónimos que estão nos lugares de conflito a documentar a realidade e que põe em risco a sua própria vida para que o mundo saiba o que se passa. A isto eu chamo LIBERDADE. Não a deles, porque não são realmente livres, mas o fruto do trabalho deles.

A partir de hoje, ali do lado direito, juntamente com os blogs dos meus amigos, vão encontrar alguns blogs de repórteres de guerra. Pessoas que pelo trabalho que fazem, parecem-me descomprometidas com o sistema político e, logo, têm algo deveras importante para contar. Algo que, espero, mexa um pouco com as nossas consciências.

Para começar vou pôr o blog do fotógrafo espanhol Gervasio Sánchez.
Há dois anos vi uma exposição dele que me impressionou muito. Além do corpo de Sofia, mutilado pelas minas, em Moçambique, vi fotos dos sucessivos conflitos em Angola. Fotos que me recordaram imagens que na minha infância eu via na televisão (na minha casa não havia censura, nem essas frescuras de agora). Mas, o mais impactante foram as imagens da guerra da Bósnia, nos anos 90, e dos conflitos que levaram à independência forçada do Kosovo, em 2008.  Não pude evitar que me caíssem as lágrimas. Eu cheguei à Macedónia poucos meses depois deste conflito. Da minha banheira via a cordilheira que fazia a fronteira entre a Macedónia e o Kosovo. E visitei a Bósnia quatorze anos depois da guerra ter terminado e, até hoje, continua a ser o país que maior impacto me causou. Para mim, no meu "eu" como pessoa, existe um antes e um depois do “passeio” à Bósnia.

O fotógrafo Gervasio Sánchez já tinha ganho muitos prémios nateriormente, quando ganhou um importante prémio em Espanha. Outro qualquer teria feito um discurso de eterno agradecimento aos seus conterrâneos, teria dedicado o prémio à mãe, à prima e a todos os espanhóis.Mas este homem aproveitou o foco de atenção no seu próprio pais e, com todas as câmaras e microfones On, acusou o governo espanhol de traficar armas com dirigentes de países com conflitos bélicos activos, ao mesmo tempo que participava em cimeiras e campanhas a favor da Paz. Acho, pois, que além de todo o mérito que tem como “contador de verdades”, isso é motivo mais do que suficiente para não o perdemos de vista. Está ali ao lado. E outros como ele se hão-de seguir.


Angola 1999

Kosovo 1999
À descoberta do Amor, Mahatma Gandhi

Ensaia um sorriso
e oferece-o a quem não teve nenhum.
Agarra um raio de sol

e desprende-o onde houver noite.
Descobre uma nascente
e nela limpa quem vive na lama.
Toma uma lágrima
e pousa-a em quem nunca chorou.
Ganha coragem
e dá-a a quem não sabe lutar.
Inventa a vida
e conta-a a quem nada compreende.
Enche-te de esperança
e vive a sua luz.
Enriquece-te de bondade
e oferece-a a quem não sabe dar.
Vive com amor
e fá-lo conhecer ao Mundo.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Insólitos Irlanda #3


What a fuck is this man? O que é que estes dois animais fofinhos estão a fazer nestes preparos à porta dum dos mais movimentados supermercados da cidade? Isto não será considerado zoofilia? E o mais estranho é que estão colocados à porta dum consultório chinês que promete fazer perder peso com métodos inovadores e de forma rápida...Serão estes os métodos?

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Fitzgerald Park, Cork

Situado a pouco mais de quinze minutos do centro de Cork, o Parque Fitzgerald é um oásis na cidade. Embora não seja muito grande oferece uma variadade enorme de cantinhos com encanto, sombras e relva fofa onde estender a capulana e dormir uma sesta ou simplesmente conversar ou apreciar a paisagem vegetal.

A área ocupada actualmente pelo parque foi palco da Cork's International Exhibition, em 1902. O impulsionador da feira e, então, presidente municipal Mr. Edward Fitzgerald, dá o nome ao parque de agora. Alguns dos pavilhões que foram utilizados no inicio do século XX para as exposições, continuam lá e dão vida a novos espaços ao mesmo tempo que se misturam com detalhes arquitectónicos modermos. O parque deixa uma impressão de conto de fadas com algo futurístico e muito actual.

Além dos jardins aromáticos há um parque exclusivo para os skaters, uma “casinha de bonecas” com actividades para crianças, um café com vistas para o relaxante Rio Lee, a ponte Shakey (construída em 1926), um recanto futurista inspirado numa casa nas árvores e o Museu da Cidade. No Museu da Cidade, entre outras atrações, estão uma séria de objectos pessoais de Michael Collins o mítico líder revolucionário da Irlanda, o Deus local, assim como objectos históricos dos Celtas e outros costumes e curiosidades locais.
Off the record: o museu é um dos poucos sítios na cidade com WC público e de acesso livre.


O Fitzgerald é sem dúvida um dos espaços mais agradáveis da cidade. É óptimo para fazer desporto. Na minha opinião, a par dos jardins da Universidade, este é o melhor jardim já que está bastante limpo e não é mal frequentado. As fotos que fiz foram tiradas ao final da tarde e não fazem justiça à beleza do lugar. Sugiro, pois, que carreguem AQUI e vejam como é bonito.








quinta-feira, 21 de agosto de 2014

St. Patrick Hill - Cork

Na lista dos must-see de Cork consta o St. Patrick Hill. Trata-se duma rua muito inclinada no centro da cidade. Desde o topo há uma vista de 180ºC muito bonita. É possivel admirar os prados irlandeses que fazem fronteira com a cidade e ver uma série de detalhes arquitectónicos que não são visíveis desde qualquer outro ponto da cidade.


Não desdenhando a cultura local posso-vos garantir que quem fala do St.Patrick Hill como um monstro de sete cabeças ao qual há que domar depois de suar horrores, nunca esteve em Lisboa. Qualquer ruela da Penha de França tem maior inclinação e dificuldade que esta rampinha irlandesa, com a agravante da calçada portuguesa e das necessidades impúdicas dos animais de estimação da fauna humana lisboeta.

Mouraria Junho 2014

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Lenga lenga pessoana by Adelina Charneca

Olá,quem és tu?
__Eu,sou Fernando Pessoa.
Como posso saber?
__Pergunta ao Ricardo Reis.
Onde está esse homem?
__Não sei,pergunta ao Bernardo Soares.
Caramba...assim fica dificil trabalhar,onde posso encontrá-lo?
__É melhor que perguntes ao Alvaro de Campos.
__Fernando,tu dás-me conta da cabeça com tantas trocas e baldrocas.
__Bom,é mesmo essa a minha intenção,dar-te trabalho para que compreendas a minha personalidade,ou desistas de meter-te na minha vida.
Qual personalidade se és tantas figuras?
__Procura-me...procura-me que em algum sitio me encontrarás...e agora adeus,a minha Ofélia espera-me.



domingo, 17 de agosto de 2014

Aviso: vou implicar com os PALOP

Desde a antiguidade que algumas minorias reclamam os seus direitos, mas foi sobretudo depois da revolução francesa que essas reinvidicações se tornaram mais banais. No século XIX, passado o auge da revolução industrial e com as ideias marxista a apelarem ao espírito reinvidicativo e sindical, as ruas foram cenário de lutas sociais por direitos que hoje em dia nem sequer questionamos. Na luta e pela luta morreram centenas de pessoas às quais devemos, em parte, a nossa liberdade.

O século XX foi palco de enúmeras manifestações de apoio à liberdade de direitos colectivos e individuais. Considero que a maioria foram de suma importância e quiças deveríamos reflectir um pouco mais sobre esse processo democrático, sobretudo no contexto actual, onde muitos desses direitos nos são descaradamente roubados (sugiro a leitura de “Indignai-vos!”, de Stephen Hessel).

Um dos episódios revolucionários mais apaixonantes do século XX foi a “Queima dos soutiens”, a 7 de Setembro de 1968, quando um grupo de mulheres americanas considerou públicamente os concursos estilo “Miss America” ou “Miss Universo” etc...uma opressão e manipulação da beleza e liberdades feminina e, por isso, nesse dia, em Atlantic City, juntaram-se cerca de  quatrocentas pessoas que, simbólicamente “queimaram” signos da beleza feminina segundo os padrões vigentes. Alguns soutiens, espartilhos, cintas, maquilhagem e muitos pares de sapatos de salto alto foram atirados para um recipiente e alguém sugeriu que fossem queimados. Como o local onde se encontravam era privado nunca o puderam fazer, mas ficou a intenção e o simbolismo do acto. No dia seguinte os principais tablóides apelidaram o momento de “Bra-burning”. O zum-zum-zum começou e, um pouco por todo o mundo, activistas e manifestantes copiaram o acto protagonizado em Atlantic City.

Braburning - Atlantic City - 1968
O que é que isto tem a ver com os Palop?

Ora, como viajo sempre ligera de equipaje o meu único luxo desde há muitos anos é um velho portátil multifacetado. É através dele que contacto com o mundo, me divirto, me informo, escrevo, sou feliz e infeliz (atenção: há mais vida para além da minha relação com o meu portátil). Uma das funcionalidades do meu portátil é trazer-me as ondas FM de umas quantas rádios que gosto de ouvir. Se vocês também gostam de rádio gostava de vos sugerir as seguintes frequências:

Portugal – RFM Oceano Pacifico

Espanha – Radio 3

Irlanda – Sunshine Radio

Angola – Radio Kizomba

Bom, e é aqui, nesta última referência radiofónica, que reside o meu espanto. Em Lisboa, quando o corpo pedia a alegria nata dos países africanos, ligava ao meu querido Nzinga e lá íamos nós abanar a anca. Fiquei, pois, fã de alguns grupos de música africana e recordei os dois concertos do Bonga e o concerto dos Tabanka Djaz a que assisti há muitos anos. Adquiri conhecimentos sobre novos artistas tais como o Paulo Flores. Considero que todos eles são artistas de mérito, que têm uma mensagem a passar, umas vezes mais profunda, outras vezes de desbunda, mas em geral têm qualidade. Pensava eu que a Radio Kizomba andava dentro desta linha, mas encontrei algo que os meus ouvidos e o meu cérebro preferiam não ter encontrado. Sem me alongar demasiado aqui vão algumas das pérolas que fazem com que o Quim Barreiros pareça um menino de coro:

 “olha moça pode parar se isso continuar vais-me arranjar confusão vou logo avisar se a minha esposa chegar ela vai-te dar tau tau não arranja confusão se a minha esposa te mete a mão JA TE AVISEEEI...TAS A VER A IDEIA???...” Leopoldo Saide – Não me arranja confusão
  
“Me da tua maçã pra eu provarééé eu estou com fomé quero comer” Dj Machine feat. Caudio Ismael –Maça

“Tudo o que eu tenho para te dar babyyyy....é só amoooor, já sei que não foi a melhor forma de te conquistar...vamos formar o nosso proprio lar...a mansão que te levava era do meu patrão...o carro era da minha tiiiia...”lili saint- só amor

“Ele: não voltas a mexer na porcaria do telemovel...
Ela:Corri o mundo só por ti....fui até ao fundo escalei montanhas para te encontrar e tu não soubeste valorizar...tu es como a lua tens várias caras e não sei qual é a tua...
Coro: chez besoin de toi... já nao vale a pena sofrer, ja nao vale a pena continuar...
Ele: eu sempre de amei e tu nao me davas atenção , baby eu não sou de ferro, por isso cai na tentação, amor eu sempre fui sincero, eu não consigo parar de chorar para ti...por favor acredita eu não estou a mentiiiirrr yyeeehhh”, JessicaFerrao feat. Zimous - Ja Nao Vale a Pena

Sem falsos pudores, considero que estas letras são machistas. Não têm nada de divertido (ao contrário do Quim Barreiros). São pura violência sexista. E o que me deixa mais triste é que a maioria destas “épicas” palavras são cantadas por angolanos e por moçambicanos. Angola e Moçambique pariram alguns dos mais bonitos poemas e canções de amor à liberdade. Agora, mais do que nunca, ambos países têm muitas liberdades pelas quais lutar e um largo caminho a percorrer que vai muito além dos sumptuosos edíficios e das neo-elites “colonialistas” que estão a surgir da chamada classe média. Ainda bem que o Craveirinha já não está por cá...e ainda bem que esta canção um dia foi inventada:

“...Antigamente a velha Chica vendia kola e gengibre e lá pela tarde ela lavava a roupa do patrão importante, e nós os miudos lá da escola perguntávamos à vovó Chica qual era a razão daquela pobreza, daquele nosso sofrimento...Xé menino não fala política...mas quem vê agora o rosto daquela senhora, já não vê as rugas do sofrimento...Xé menino já posso morrer, já vi Angola independente...”

sábado, 16 de agosto de 2014

Modernices

Era uma vez uma rapariga irlandesa. Cabelo ruivo, outfit demasiado exagerado, três pacotes de base barata a rebocarem uma pele que poderia ser mais jovem se não fosse tão massacrada pelos polyparaben. Ah e um cachecol. Ela levava sempre um cachecol trendtopicA rapariga costumava andar na rua sem andar. Normalmente desfilava para uma pequena multidão narcisista que passa tanto tempo a auto-retratar-se e a fazer upload em tantas páginas cheias de selfies  que dúvido que no fim do dia sobre tempo para ver outras fotos que não as próprias. Ela andava sem olhar para os passos que dava porque normalmente na mão levava o iphone. E enquanto andava ia-se vendo a caminhar.E ia reclamando dos tantos defeitos que se via nela própria. Eram tantos, tantos, tantos que não parava de maquilhar-se e comprar roupa para tapar a esses tantos defeitos merecedores de duzentas auto-retratos diários. E enquanto andava nem reparava nas pessoas que passavam por ela: as tias, as vizinhas, os amigos de carne e osso. Uma rapariga sózinha numa página cheia de multidões. E ela andava e andava. E via-se reflectida no iphone. E enquanto andava e andava o cachecol ia-se soltado do pescoço. E ia e ia em direcção ao chão. Mas a rapariga ia tão entretida a admirar-se a si mesma que nem reparava que levava o cachecol a arrastar pelo chão. E um dia, enquanto se via no reflexo do iphone e o dedo já estava a carregar na tecla que faria outro selfie original- entre tantos- a rapariga tropeçou no cachecol, caíu no chão, partiu o nariz e borrou a maquilhagem. E eu, que às vezes vejo coisas que preferia não ver, morro de curiosidade de saber como teria ficado esse selfie se o iphone não se tivesse partido em mil pedaços, quando o cachecol decidiu dizer à rapariga "hey, psiu, olha para a frente se não cais!".

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Insólito Irlanda #2

Em Cork só está permitido deitar fora o lixo às Segundas. Normalmente respeito bastante as leis de civismo e boa convivência social. Vejamos, em Madrid só estava permitido deitar fora o lixo à noite e jamais desrespeitei essa norma. Os caixotes do lixo eram armazenados dentro dos edifícios, portanto tinha todo o sentido que os dejectos domésticos não ficassem a apodrecer e a criar maus cheiros.

Aqui, os caixotes do lixo também são propriedade de cada edificio mas estão na rua. Entendo que existam horas e até mesmo dias para deitar fora o lixo doméstico mas...só UMA VEZ por semana parece-me demasiado exagerado tendo em conta que nos supermercados quase tudo é vendido empacotado e a produção de lixo caseiro é exagerada. Por exemplo, a fruta não é vendida em avulso, a carne vem embrulhada em não sei quantos plásticos etc...

Assim, e lamento a falta de civismo, só há uma solução: esperar que a noite venha, sair à rua qual cadeirudo, deitar fora o lixo e desaparecer o mais depressa possível com os calcanhares a bater no rabo.



terça-feira, 12 de agosto de 2014

Por morrer uma andorinha não acaba a Primavera

A vida tem o condão de nos surpreender. E muitas vezes as surpresas acontecem quando menos esperamos. Nem sempre somos premiados com uma surpresa agradável. Já aqui disse que a maioria dos voos que empreendemos ao longo da vida têm, infelizmente, uma aterragem dificil e penosa. E não há forma de maquilhar essa realidade. Contudo, podemos digeri-la com maior ou menor optimismo.

Assim, desembrulhado um presente que a vida me deu, chegou uma surpresa que ainda não sei se veio por bem ou por mal. Eu estou mais inclinada a engolir em seco a parte má, ficar só com a parte boa no albúm das recordações e enviá-la directamente para o arquivo dessas brisas boas que a vida tem e que chegam da mão da pessoa certa mas, tantas vezes (demasiadas), na hora errada.

E uma vez mais é preciso admitir que o AMOR não vive só de boas intenções e cabanas. O amor, as relações, as pessoas, precisamos de tempo para nos cuidarmos mutúamente numa relação a dois. Para abrir os braços quando o outro cai e tomar uma garrafa de Cabriz ao serão quando o outro está feliz.

Têm sido mais de trezentos e sessenta e seis dias de fortes cabeçadas e tropeções mas quero acreditar que a vida me vai dar uma trégua...afinal, por morrer uma andorinha não acaba a Primavera.


domingo, 10 de agosto de 2014

Catedral de St.Fin Barre - Cork

Talvez por oposição ao protestantismo dos britânicos, personas no gratas para os irlandeses, a Irlanda é sumamente conhecida como um país católico. Logo, não é de estranhar que a paisagem da Ilha Esmeralda esteja pintalgada de torres e mais torres, normalmente construídas com granito ou tijolo de burro.

Cork tem umas seis dessas torres. A Catedral de St. Fin Barre é a sede da igreja católica no Condado de Cork. Eu não entrei porque a entrada custa 5€ (3€ para estudantes) e já tinha visitado outras igrejas na Irlanda. Mesmo assim vou-vos contar o pouquinho que sei sobre a catedral da cidade.

Foi construída no século XIX pelo arquitecto William Burges sobre as fundações de outros dois lugares de culto .Vista de frente parece a Notre-Damme sem o Quasimodo. À volta da igreja há um velho cemitério e uma espécie de monte relvado onde, nos dias de sol, se sentam os transeuntes.

Um dos pormenores mais emblemáticos da catedral de St. Fin Barre é o Anjo da Ressureição oferecido pelo arquitecto fundador. Uma lenda local conta que no dia em que o Anjo cair chegará em seguida o fim do mundo. Se esse dia chegar espero estar bem longe do mundo, ou pelo menos de Cork!


Catedral vista da parte de trás

Anjo da Ressureição

Cemitério+os meus dedos

Vista frontal

ERRATA 14/08/2014: o meu segundo amigo irlandês disse-me hoje que a Catedral é protestante.

sábado, 9 de agosto de 2014

As pontes sobre o Rio Lee - Cork

Cork está construída numa espécie de delta do rio Lee. A cidade é percorrida por vários canais, parecendo uma ilha dentro duma ilha. Ao longo destes canais há dezenas de pontes. Fotografei algumas para que fiquem com uma ideia de como pode ser romântica esta pequena cidade portuária.




Ponte de St.Patrick é a mais emblemática da cidade

Ponte de St.Patrick



domingo, 3 de agosto de 2014

Insólitos Irlanda #1

Nas bibliotecas que eu frequento não há W.C. público.
As bibliotecárias sempre prestáveis recomendam um ou outro café nas redondezas.

O que eu me pergunto é se os donos desses cafés são tão prestáveis e aceitam com a mesma gentileza receber os "despojos" dos leitores das bibliotecas irlandesas...


lavatório de água quente por baixo e secador por cima

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Desaparecidos de la dictadura española


Miles de inmigrantes desgraciados y medio-vivos llegan en pateras a Europa y son arremetidos a su insignificancia, después de que los europeos hayamos llegado a sus tierras en suntuosas carabelas desde hace poco más de quinientos años.
En Gaza se mueren miles de palestinos e israelíes a manos de una asquerosa política internacional que decidió recompensar a los judíos por el Holocausto, regalándoles tierras que no les pertenecían totalmente. En cambio, los israelíes, se divierten “jugando” al Holocausto sacrificando a los  palestinos Pero, ¿a quien se le ocurre regalar a un desconocido un territorio que no le pertenece? ¿No estaba claro que esto pasaría? ¿No lo habían visto ya con los efectos de la Conferencia de Berlin? (no nos olvidemos que Kosovo está ahí y es fruto de la misma fórmula política).
En Ucrania “algo” esta pasando. Los parcos y clandestinos relatos que llegan dan cuenta de una realidad horrorosa, a la que esta sujeta la gente que vive ahí y a quienes les importan tres pepinos, donde narices ponen la frontera los rusos y los ucranianos. Es como si Portugal se pusiera en guerra con España y reclamara un República Independiente de Olivenza. ¿Estaría la gente de Olivenza, Portugal o España dispuesta a perder a sus familiares y amigos a cambio de una puñetera línea dibujadas en el mapamundis? No confundamos identidad con represión, que es lo que en realidad está pasando.

Y no pasa lo mismo en España porque los condicionantes son otras, pero la verdad es que ya estamos todos hartos de las especulaciones Catalunya vs. España. Lo daría todo para ser una mosca y estar presente en las reuniones entre Más y Rajoy. Me apuesto la vida en como hablan de todo menos de la independencia de Cataluña. Os acordáis de cuando en el 2007, en Lisboa se hizo una cimera UE-África a la cual acudieran, entre otros, ¿Kadafi? Pues que al final todo fue una fea, muy fea taponera para un sin fin de juegos sucios. El más conocido es aquel en que Sakorzy y Zapatero negociaran con Kadafi la compra-venta de armamento.

Bueno, una vez expresado mi hartazgo con el mundo, vuelvo al tema que me movió a escribir estas líneas: una noticia leída en El País que me hace recobrar parte de mi esperanza en la justicia. Pues, parece ser que uno de los muchos comités de ONU que sirven, sobre todo, para montar despacho en barrios pijos de países tercer mundistas, ha hecho una especie de ultimátum políticamente correcto a España. El país del torito y de las morenas con vestidos con lunares tiene noventa días para darse prisa y decidir que hacer con las víctimas del Franquismo.

En este caso concreto se refieren al drama de las desapariciones forzadas durante el Franquismo. Una trama que sembró la muerte de miles de españoles y/o republicanos, entre los cuales el famoso Federico García Lorca, de quién hasta hoy no se ha encontrado sus restos mortales. Pero pueden también referirse al caso de los niños robados, entre otras mil y una trampas que se cocieran durante los cuarenta años de dictadura española. Aquí os he escrito un poco sobre el tema.

No podría dejar de manifestar mi impresión sobre esta noticia. Aunque crea no pasa de una noticia y que en realidad poco o nada se avanzará mientras esté este gobierno. La ley de la memoria histórica en España va de encuentro a unos cuantos lobbies. No es de la conveniencia de muchos que la suciedad de la Guerra Civil sea siquiera tocada.

De los tres años que pasé en España pocos temas me llamaran más la atención que todo el rollo de la Guerra Civil. No por fetiche, sino más bien porque es algo palpable. Aún hay muchos testigos vivos de esos días de violencia entre hermanos de sangre,  luego de la hambruna y de la represión. Hay aún muchas familias que buscan sus niños robados y otras más que no saben donde se encuentran sepultados sus seres queridos. Y no es que sea el vecino del primo del abuelo de Dª Pepita quién me lo contó. No. Yo lo he escuchado de gente que sigue sufriendo en la piel esa maldita represión treinta y siete años después de la muerte del fascista.

Y es que justo en mi último paso por Madrid, en abril, iba de paseo y paré junto a un “algo” que yo no sabia lo que era. Había una bandera de la República  y una placa en memoria de las mujeres encarceladas. Luego, me enteré que se trata del terreno con los despojos de lo que fue la antigua cárcel de  Carabanchel. Posiblemente en el futuro se hará algún condominio donde sólo los hijos de los que no sufrieran represión y, por lo cual no han visto sus vidas interrumpidas, podrán pagar un piso. Eso pasó en Lisboa con el antiguo edificio de la PIDE (Policía de la Dictadura del Estado Novo).



antigua cárcel de Carabanchel

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Galway

Situada a Noroeste da ilha, Galway é uma cidade jovem e estudantil devido às duas universidades aí instaladas, que atraem jovens de todas as partes do mundos (cheguei num Sábado cedinho e pude comprovar que efectivamente é assim).
Não tenho demasiados dados históricos sobre a cidade e, de pouco adianta fazer um copy/paste da wikipédia porque vocês também podem fazer a façanha, no entanto posso adiantar que é uma cidade que tem cerca de 70.000 habitantes, a maioria jovens e é a quarta maior cidade da Irlanda. Foi em tempos um grande porto comercial que manteve estreitas relações com Espanha, devido sobretudo à familia Lynch. Para a maioria dos irlandeses com quem tenho falado, Galway é uma das cidades mais lindas e que todos ABSOLUTELY me recomendam.

Caçadores de Salmão

Pareceu-me uma cidade viva, com uma energia particular e com uma beleza natural impossível de ignorar. Por isso, decidi escrever-vos sobre ela, sem fazer menção pormenorizada a dados históricos.
Ao longo das margens do rio Corrib, que atravessa a cidade dando-lhe um ar fresco e clean, há vários pescadores a capturarem salmão. Segundo pude entender através de uma breve conversa que mantive com um deles, para poder pescar é necessário pagar um preço diário que ronda os 90Euros. Contudo, o mais curioso é que é possivel encontrar estes pescadores não só nas margens, mas também no próprio rio. Aliás, segundo eles, esta é a forma mais eficiente de conseguir pescar o salmão.
Para que vocês possam compreender o “amor profundo” que os irlandeses sentem pela coroa britânica,em frente ao sítio exacto onde eu parei a falar com o pescador, o rio tem uma forma geofísica curiosa à qual os locais chamam “Queen´s Ass”, ou seja, “O cú da Rainha”. Assim, depreendo que frequentemente uma mãe irlandesa de um pescador que pergunte ao seu filho onde é que ele vai com a cana, pode obter como resposta “Vou com a cana ao cú da Rainha”.

pescadores de salmão no rio Corrib
Spanish Arch

Aí, aí, aí que estes espanholitos estão por t-o-d-a a parte.
Por todas as ruas desta pequena e bonita cidade se ouvem magotes de espanhóis a falarem alegremente (e ruidosamente) entre si, como é seu apanágio. Aliás, na Primark local acompanhei a acessa discussão dum grupo de jovens espanhóis que iam dum lado para o outro, a falar alto e bom som entre eles - como se fossem os únicos hispanohablantes do mundo-  e que estavam indecisos entre roubar ou não roubar uma camisa que um deles gostava. Toda a gente ouviu a discussão. Só não entendeu quem não podia mesmo entender.

Mas parece que esta já é uma tradição antiga, que vem desde o tempo do nosso “dear” Filipe I (Felipe II para os espanhóis). Os negócios entre os espanhóis e os locais começaram por volta do século XVI. O Spanish Arch, junto à Spanish Parade, era o sítio exacto onde os navios espanhóis atracavam quando chegavam à cidade para efectuar trocas comerciais. Traziam sobretudo vinhos entre outras mercadorias.

Hoje em dia o Spanish Arch é um local de encontro, junto ao movimentado bairro latino e ao museu da cidade. Quando eu passei por lá era um local de reencontro de concretamente uns dez bêbados irlandeses.



Musicos callejeros e a Baia de Galway

Para mim os dois pontos fortes desta pequena mas maravilhosa cidade são:
os músicos de rua, que estão em cada esquina e oferecem espéctaculos improvisados de qualidade impressionante. Aliás, segundo pude averiguar, as ruas são o melhor centro de casting do país. É muito comum os típicos Irish Pubs recrutarem os musicos residentes depois de os ouvirem por aí em actuações improvisadas.

E, claro, a enorme Baía de Galway, rodeada de montanhas e dumas pequenas ilhas que agora no Verão são um forte atractivo turístico do pais. Ao longo das praias que compõem a Baía, há uma praia só para crianças. Não entendi muito bem qual é a dinâmica porque o guia tinha um forte sotaque, mas promento averiguar a próxima vez que voltar à cidade.

Quando estive havia bastante buliço no Bairro Latino, um bairro cheio de bares e com esplanadas montadas debaixo de alpendres de madeira, típicos da paisagem irish, assim como um mercadinho de artesanato, que está lá todas as semanas.

Baía de Galway ao fim da tarde, com a maré vazia
"We are all in the gutter...but some of us are looking at the stars." O. Wilde

“Estamos todos na sarjeta...mas alguns olhamos as estrelas”, do polémico e fascinante escritor irlandês dublinense Oscar Wilde. Outro ponto forte da cidade é a estátua de Wilde com o estónio Eduard Vilde. Embora sejam contemporâneos, nunca se conheceram pessoalmente. A estátua representa um encontro imaginário com conversas que ficam à consideração de quem por ali passa. Em 2004 a Irlanda presidia  a UE quando a Estónia se incorporou como membro da comunidade. A estátua é o obséquio que os estónios ofereceram aos, então, anfitriões.

Também, bem no centro da cidade, encontra-se o parque Eire Square/Keneddy Park, com três ou quatro atrações, nomeadamente a estátua de Padraic O´Conaire, um escritor local e excelente contador de história de encantar, que morreu em Dublin em 1928.

A Eire Square é, também denominada Keneddy´s Park, porque quando o malogrado presidente dos EUA visitou o país, proferiu nessa mesma praça um inflamado discurso que fazia menção de honra aos seus antepassados irlandeses. Aliás, basta olhar para as fotos do sr. Keneddy e perceber, através daquele faustoso cabelo ruivo, que ali havia genes celtas.

Fica, pois, por escrever na rúbrica Da Irlanda para o mundo algo sobre Oscar Wilde e John F. Keneddy.

 

Por agora, espero que tenham desfrutado do altamente recomendado passeio a Galway.


Irish breakfast
Eu e um desconhecido junto à estátua de Wilde/Vilde

detalhe rockeiro na parede dum bar local

Informações úteis:

-Autocarro Cork-»Galway = 20EUR/3 Horas

-Autocarro turístico Galway (o melhor é do senhor velhote e pele encarnada J.J) =10EUR/1 Hora

-Irish Breakfast de comer e chorar por mais (eu chorei porque comi demais)= 5EUR na Abbeygate Street Lower



quinta-feira, 24 de julho de 2014

Primeira entrevista de trabalho na Irlanda

Foi AQUI que vos contei como tinha corrido a primeira entrevista de trabalho em Madrid. Na altura fiquei chocada com o comportamento imbecil do meu entrevistador. Volvidos quatro anos, voltei à pouco alegre e muito ardúa tarefa de enviar CV´s e acudir a entrevistas em moradas que para mim são chinês, montada em saltos altos e calças de tecido que me apertam nos pneus e me fazem o rabo demasiado redondo, e desorientada com as indicações controversas que me dão na rua. Desenrascar é mesmo a herança maior que um português pode receber (depois da língua), porque acreditem que quando estamos fora do nosso círculo de segurança e conforto é muito útil. Desenrascar é uma espécie de canivete suiço que nos transforma no Macgywer em situações de aperto.

Há duas semanas ligaram-me duma ETT para passar a triagem num processo que me interessava bastante, numa das muitas multinacionais recém-instaladas em Cork. Correu tudo bem e a entrevistadora gostou do meu CV e disse que ficou muito impressionada com algumas experiências que tive e que se adaptavam perfeitamente ao posto. Fui, pois, convocada para uma entrevista na tal multinacional. E o sexto sentido começou logo a activar um alarme de cor âmbar que me dizia que aqui as coisas são bastante diferentes. Uma entrevista é algo muito sério e não a conversa relaxada e, muitas vezes, da tanga, que se tem no Sul. No meu e-mail recebi uma espécie de guião preparado pela ETT com uma série de perguntas para as quais eu devia estar preparada para responder e, outras tantas, sobre as quais eu deveria reflectir: quais os meus pontos fortes e fracos, como é que eu me vejo daqui a uns anos etc...

Comecei a sentir-me nervosa na véspera e, para evitar imprevistos, saí de casa com três horas de antecedência. E até me dá vontade de chorar quando me lembro dos imprevistos pelos quais passei. Parecia que o universo estava do contra e tudo estava a correr mal. Sabem aqueles sonhos em que tentamos correr para alcançar as pessoas e não conseguimos? Tentamos gritar mas a voz não sai? E despertamos todos suados e em pânico? Pois, isso foi o que me aconteceu mas eu não estava a dormir...Estava elegante, perfumada e a tentar manter a calma para uma importante entrevista de trabalho.
Primeiro o comboio nao abriu as portas na estação onde eu deveria sair. Não sei o que se passou mas estavam bloqueadas. Para terem uma ideia, nessa linha só há um comboio por hora. Fazendo as contas comecei a sentir-me lixada com F, portanto quando cheguei à estação de Cork, reclamei. Não me serviu de muito, mas reclamei. Uma senhora, que tinha assistido à cena, foi a luz brilhante que não me fez perder a esperança. Pediu-me para ter calma, que tudo se ia resolver e que concerteza eu iria ficar com o posto de trabalho. Ajudou-me a fazer a reclamação e foi um amor (aqui as pessoas são realmente muito simpáticas).

Apanhei outro comboio na direcção contrária e desta vez as portas abriram. Resulta que a estação estava entre o nada e uma auto-estrada e não havia vivalma excepto eu e um casal de turistas que estavam igualmente perdidos. Fiz-me ao caminho e segui por um pedaçinho de passeio que havia ao longo da auto-estrada. Mais ou menos correspondia com o caminho que eu tinha visto no google maps. E então, cheguei a um enorme parque industrial e comecei a perguntar às poucas pessoas que passavam a pé onde ficava a empresa onde eu ia ter a entrevista mas...ninguém sabia. Entrei na zona Este do parque e, entretanto, já tinha passado uma hora e meia. A ampulheta já ia a meio...
Avistei um Costa Café e pedi ajuda. Ninguém sabia onde ficava a tal empresa mas, pelo menos, estava no parque certo. Olhava à volta e só via empresas e mais empresas e edificios para lá de outros tantos edificios, e todos iguais. Como ultimo recurso pedi que me dessem um contacto dum táxi.


Liguei à central e expliquei a situação. Que estava num parque industrial gigante, sabia exactamente onde me encontrava mas não sabia onde estava o sítio aonde tinha de ir, portanto precisava da ajuda dum taxista. Puseram-me à espera duas vezes, para me informarem que não podiam enviar um táxi para me deslocar dentro dum espaço tão “pequeno” (puta que os pariu...pequeno para eles que o estavam a ver no google maps).
Então, furiosa comecei a andar sem nenhuma direcção concreta e duzentos metros depois, numa esquina, detrás dumas árvores grandes, eis que surge o logotipo gigante e brilhante da “minha” empresa. Senti-me uma bailarina dentro duma caixa de musica, a dançar levemente ao som duma música fofinha....
Como ainda tinha quarenta e cinco minutos, voltei para o Costa Café e tomei um cappucino (o mais barato e mesmo assim EUR2,99), depois pintei os lábios tranquilamente, passei água no pescoço, sorri ao espelho e disse-me palavras de conforto como “agora é que vai ser”.

Não, não ia ser...

Na ETT tinham-me avisado que a empresa tinha mudado de instalações há muito pouco tempo. Os escritório que eu tinha visto na esquina eram os escritórios antigos. À medida que me fui aproximando e fui vendo como tudo estava vazio, com dossiers abandonados e janelas mal fechadas, apeteceu-me chorar...já só faltavam quinze minutos para a hora marcada e ia mesmo chegar atrasada...Tinham passado duas horas e quarenta e cinco minutos desde que tinha saído de casa...isto não me podia estar a acontecer. Estava a começar a suar outra vez e já tinha um lago no umbigo e uma catarata na espinha.
Havia por ali um jardineiro e precisei gritar-lhe duas ou três vezes para que me ouvisse por detrás da motosserra. Explicou-me onde estavam as novas instalações e, de salto alto, fui cortando caminho pelos passeios relvados e pelos canteiros de flores. Não sei como mas demorei cerca de cinco minutos a chegar ao local e cheguei cinco minutos antes da hora marcada. Os meus entrevistadores estavam numa reunião e a entrevista ia começar cinco minutos mais tarde...Foi o primeiro suspiro de alívio. Tive tempo de me recompôr e de beber quase toda a água do dispensador.

Não importa dizer como correu a entrevista. Os entrevistadores eram simpáticos. Um deles era espanhol. Uma espécie de irmão Rivera. Só não fiquei estrábica a olhar para ele porque as circunstâncias anteriormente descritas só me faziam ter vontade de adormecer debaixo dum duche fresquinho e acordar somente daqui a trezentos dias, quando tudo não passasse duma má recordação.  Aliás, se estou aqui sentada na biblioteca municipal a contar-vos com tanto detalhe a merda de dia que tive é porque não fiquei com o posto...mas, pelo menos, sobrevivi. Ainda tenho um nó na garganta e garanto-vos que não é normal todas as dificuldades com as quais me deparei naquelas malditas três horas, num dia tão importante. Creio que as superei com mérito mas quando cheguei a casa só me apetecia o colinho da minha mãe e, pela primeira vez, senti-me realmente assustada e percebi que estou outra vez sózinha no mundo. Embora muitas vezes as minhas palavras transmitam só confiança, há dias em que o mundo parece um terrivel buraco negro e não é nada fácil chegar onde queremos. O caminho é penoso e cheio de espinho e é dificil acreditar no que quer que seja...

Para terminar e para que não vão daqui com maus feelings, conto-vos que quando cheguei a casa tomei um banho fresquinho, fui ao jardim e estive deitada e a rebolar na relva, entrei na igreja para sentir um maravilhoso silêncio esmagador, à noite vi o filme “The other sister” e dormi nove horas seguidas. Deixo-vos uma imagem bem bonita que a mim provoca sensações que me fazem sentir essa tal bailarina levezinha...plim plim plim

 
Irmãos Rivera

domingo, 20 de julho de 2014

Da Irlanda para o mundo #1

A Irlanda é quase um caso de amor à primeira vista. E quanto mais olho mais gosto.

E não paro de me surpreender por descobrir que algumas coisas que me são muito gratas são produto desta ilhinha verde.

Os The Cranberries são da simpática, bonita e vizinha cidade Limerick.  Uma das minhas música preferidas aqui (olé às mulheres femininas de cabelo rapado)

"Though my dreams It's never quite as it seems Never quite as it seems"

Descobri também que os Thin Lizzy que me acompanharam na descoberta do Rock dos anos 70 e me abriram as portas a um mundo novo fora do Hard Rock dos anos 80/90 a que estava acostumada, são também da ilha.

Para vocês Dancing in the Moonlight, uma canção de 1977




quinta-feira, 17 de julho de 2014

Zara, the real one

Só há uma Zara em Cork e está num centro comercial fora da cidade.

A minha pergunta é a seguinte: como é que a mulherada vive e sobrevive sem a Zara?

Bom, se não tem tu, tem tu mesmo, não é?

Zara para velhotas grandotas, em Midleton

terça-feira, 15 de julho de 2014

Os "extras" e eu

Ando eu aqui como uma desgraçada a fazer pelos menos duzentas borboletas por dia e afinal a Marylin Monroe tinha os braços tão ou mais gordos que os meus...Sempre achei que os cânones de beleza da minha época não se adaptam às minhas formas.


Fonte: Chanel
E também tinha celulite:


google.com
E pneus desses que se aparecem sabe-se lá donde quando nos sentamos de lado:


Foto: Anthony Beauchamp