domingo, 14 de junho de 2015

Cinema Paradiso

Imperdoável só ter visto este filme hoje. Entrou para o meu Top 10. Estou ansiosa por vê-lo outra vez


Bravíssimo!

Phoenix Park

São raros os dias em que gosto da Irlanda do fundo do coração. São ainda mais raros os dias em que não está a chover na Irlanda. Hoje foi um desses dias em que gostei sinceramente da Irlanda porque não estava a chover. É um país lindíssimo nesses raros dias.






segunda-feira, 11 de maio de 2015

Oh my God!

28 anos depois o mundo descobre que afinal a Sweet Child O´mine é plágio desta música:



(tragam-me um saco de boxe plis)

domingo, 10 de maio de 2015

Trinity College, Dublin

Ainda vivia em Kildare e tomava conta do gémeos quando fiz turismo pela primeira vez em Dublin. A minha referência urbana na Irlanda era Cork, a segunda maior cidade. Assim, quando comecei a caminhar por Dublin e a entrar na zona da Dame Street tive um dejà-vous e senti que estava em Londres. Tanto buliço, monumentos, carros, autocarros de dois andares, gente gira e elegante no vestir. Aquela era a cidade onde eu queria estar (hoje em dia vejo Dublin de maneira diferente mas isso fica para outro capítulo).
Trazia nas minhas referências uma visita imperdível ao Trinity Colleage e ao “Book of Kells”. Fui perguntando indicações nas ruas e os irlandeses, sempre tão simpáticos (são mesmo o melhor da Irlanda) ajudaram-me a chegar lá num instante.

O Trinity College, no College Green, é a mais antiga Faculdade do país e foi construído no século XVI. É muito bonito e acolhedor. Apesar de estar no coração de Dublin sente-se uma tranquilidade muito grande lá dentro. É constituídio por uma série de monumentos e no meio há uma praça que tem um campanário. Diz a lenda que os estudantes que esperam os resultados dos exames não devem passar por de baixo do arco desse campanário sob pena de receberem maus resultados. Como não sou estudante passei e descobri que as duas árvores que estão do outro lado são  os dois maiores Acer plantados na Europa. Talvez seja exagero porque os irlandeses –à semelhança dos portugueses- vendem tudo como se fosse o mais dos mais, aliás foram eles que inventaram os records Guiness (outro dia conto esta história).

Campanário e eu  Set.14
Bom mas o Trinity é mesmo bonito e foi lá que estudaram alguns dos vultos mais importantes da literatura universal (não sei se sabem mas Dublin é Cidade Património Mundial da Literatura, galardão atribuídio pela Unesco em 2010). Oscar Wilde foi talvez um dos melhores alunos de sempre. Com tão somente 18 anos, em 1872, ganhou a maior bolsa de prestígio da instituição, o Foundation Scholarship.

Actualmente a  “jóia da coroa” na visita ao Trinity é a biblioteca e o famoso “Book of Kells”. Trata-se de uma obra  escrita por monges celtas por volta de 800 d.c que compila os quatro evangelhos do cristianismo. A importância do livro deve-se ao facto de ser um dos poucos exemplares da cultura celta antes dos ataques vikings.  A fila para entrar é enorme e o bilhete para visitar a biblioteca e o livro custa 10Euros. Na minha opinião é um preço bastante abusivo e só aconselho aqueles que estiverem realmente interessados e informados sobre o livro porque a visita não dura mais de 10 minutos. O livro está exposto numa vitrina e há um aglomerado de gente ao redor. O interessante é que cada dia mudam a página. No dia em que eu visitei estava aberto nas páginas 72 e 73.

Depois segue-se a visita à sumptuosa bilbioteca Old Library. É realmente muito bonita e há uma série de curiosidades sobre ela que vos vou contar em seguida. Primeiro deixem-me descrever o sentimento de entrar num templo de livros do século XVI com mais de 6.000.000 de volumes ,o mais famoso o “Book of Kells”. A sensação é esmagadora e só conseguia exclamar para os meus botões “Uauuuuuuuuuuuh”. Comparada com outras bibliotecas esta é muito, muito pequenina mas tem uma alma especial. Ao longo das galerias há uma série de esculturas de grandes humanistas da História Mundial e está exposta uma das três harpas mais antigas da Irlanda datada do século XV.

Detalhe da Old Library
Harpa do Séc. XV
Contudo o peso da História não é o capítulo mais conhecido desta preciosadade e que a torna tão conhecida nos dias de hoje. Consta que George Lucas, o criador de Star Wars, roubou literalmente imagens da Old Library para construir o Templo dos Jedis no filme de 2002  “Star Wars II: Ataque dos Clones”. O Trinity College esteve a ponto de o processar por usar sem autorização imagens do edífico mas finalmente desistiram. Diz a lenda urbana que Lucas se deslocou em várias ocasiões à Old Library e misturado entre os turistas foi tirando fotos ao interior da biblioteca até ter um número suficiente que lhe permitisse montar o cenário pretendido para o filme. Ele negou sempre rotundamente mas...vejam estas imagens:

Star Wars à esquerda, Old Library à direita
 Visitem o Trinity. Vale realmente a pena sobretudo se o clima estiver para ai virado. Para não sentirem que o vosso dinheiro é um desperdício (diria até um fiasco) no que concerne à visita ao “Book of Kells” sugiro que comprem logo na entrada principal um bilhete que inclui  todo o Trinity, o livro e a Old Library. A visita é guiada por estudantes e custa 12EUR. Divirtam-se!

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Belfast, Irlanda do Norte (UK)

Fonte: titanicbelfast.com
 Sei que o estaminé anda um bocado abandonado. Desde que vim viver para Dublin deixei de falar das minhas experiências culturais. Na verdade não é por falta de vontade mas não vos tenho contado nada porque me tenho deparado com algumas condicionantes que me impedem de o fazer: não sei se ainda consigo escrever bem e bonito em português e aqui está sempre a chover, é tudo muito caro e eu não sei para onde fugiu a minha curiosidade natural.Mudasti? Sim...

Como já tenho muitas saudades desde dedelhar apaixonante do barulho das teclas do computador quando tenho algo dentro do coração que quero partilhar com o mundo mais além do meu ecrã vou tentar reunir nas próximas semanas as poucas descobertas culturais e humanas que tenho feito.

Começo pela Irlanda do Norte. Convido-vos a que vejam no mapa a divisão geográfica da Irlanda do Norte e da Républica da Irlanda. A primeira pertence ao Reino Unido, ou seja, é uma monarquia, a autoridade máxima é a Rainha de Inglaterra e, entre outras coisas, usam libras. A segunda, a minha, é independente há quase um século, usa euros (troika etc...), é uma República e a igreja católica ainda é a religião maioritária. A primeira teve a IRA e o famoso domingo sangrento que inspirou a musica “Sunday Bloody Sunday” dos U2. A segunda teve (tem) os U2.

A fronteira está a menos de uma hora de Dublin. Como o mundo é muito pequeno, tão pequeno como uma ervilha descobri que a minha amiga da escola secundária e de tantos projectos de voluntariado, a Edna Monteiro, vive do outro lado da fronteira, já dentro do UK numa pequena vila chamada Portadown cheia de portugueses, lojas portuguesas e até discotecas com ritmos lusófonos. Fui vê-la duas vezes e encontrei uma mulher com uma família linda, ruidosa e muito caboverdiana. São, agora, o meu cantinho Palop neste deserto verde e húmido chamado Irlanda (seja do Norte, seja Républica).

Na semana passada as duas viajámos até Belfast, a capital da Irlanda do Norte. Plano: ficar hospedadas na casa da Nena e da Neuza, duas “primas” da costa alentejana e à noite ir a uma “escaldante” festa africana.  De escaldante nada porque o potencial de bailarinos era under 18. Fica para a memória o delicioso Lazy Sunday passado no sofá da sala, a nossa private pijama party.

Juro que tentámos visitar a cidade mas o tempo estava tão feio, tão pouco convidativo ao passeio que o monumento que requereu maior atenção da nossa parte foi a Primark da Royal Avenue instalada no histórico edificio “The Bank Buildings”. Fomos até à bilheteira do Titanic Experience. A entrada custa 15 Libras e acredito que valha muito a pena. Para os mais distraídos o Titanic foi construído em Belfast e a viagem inaugural (e única) partiu de lá. A história da cidade respira Titanic e brinda tributo a esses tempos aúreos em que era um dos maiores estaleiros  do mundo.

Digno de visita é também o Castelo de Belfast e a Câmara Municipal da cidade, o Belfast City Hall. A cerca de uma hora, no extremo norte da ilha está a “Calçada de Gigantes” a maior atração turística das duas Irlandas. Trata-se de uma quantidade imensa de rochas vulcânica esculpidas pela natureza que parecem uma calçada à escala de gigantes.

Belfast é actualmente muito conhecida também pela série “Game of Thrones” gravada em parte lá e com alguns actores irlandeses. Há tours direccionadas só para a série.


Realmente o tempo não ajudou mas combinámos tentar outra visita cultural à cidade a meados do Verão. Eu fiquei com vontade de conhecer e desfrutar mais o ambiente da cidade. De qualquer forma não me pareceu uma cidade demasiado vibrante e apelativa. Veremos se mudo de ideias no próximo Verão...

Eu e a chuva no Titanic Experience


domingo, 26 de abril de 2015

Racismo

Hoje fui vítima de racismo. Não recordo alguma vez ter passado por uma situação semelhante.

Agora percebo que a discussão que tive com aquele negro que me tentou roubar na estação dos comboio de Queluz ou que as tentativas de se aproveitarem de mim em Moçambique pelo facto de eu ser branca não foram racismo. Foram situações pontuais, quentes, que me incomodaram mas que não me feriram. 


O que aconteceu hoje foi totalmente distinto. Os meus olhos negros e o facto de ser do sul da Europa hoje foram o meu cartão de visita para um mundo que eu desconhecia. Acreditem que os monstros de verdade são muito mais requintados que os skinheads.  Esses são as loiras burras do festim. Os monstros de verdade falam bonito, são educados e ferem com as palavras...








sábado, 25 de abril de 2015

25 de Abril

Quando hoje abrí a página do sapo deparei-me com o titulo duma reportagem publicada no Expresso:


Eu, como ando tão abstraída do mundo real, pensei que me tinha enganado na data e que hoje talvez fosse antes o "Dia Internacional da Mulher" em vez do dia da minha amada "Revolução dos Cravos". Mas não!

Hoje deve ser um dia de memórias colectivas e passagem de testemunho às gerações mais novas e não de conversas de quintal. 
Como mulher sinto-me incómodada com este choradinho  fora de contexto. O feminismo tem como base principios de igualdade que devem ser fundamentados com inteligência e essa tal sensibilidade feminina que nos torna diferentes dos homens e faz com que sejamos geralmente muito boas naquilo a que nos propômos. Este discurso feminista fácil fará com que a situação das mulheres no mundo seja metida no mesmo pacote que tantos assuntos gravíssimos que, por serem mal geridos nos media, passaram à categoria da banalidade. Refiro-me às tragédias humanitárias em África, ao enforcamentos colectivos cada Quarta-feira na Arábia Saudita, à situação da Siria, à desolação do Alentejo, ao fecho das fábricas de calçado do Norte de Portugal, à corrupção praticada por políticos etc...São coisas que estão a acontecer agora, são gravíssimas mas já ninguém liga :(

Hoje gostaria que se falasse mais dos torturados pelo regime, dos PIDE que nunca foram julgados, dos desgraçados que foram forçados a ir à guerra em África, da censura, da censura e da censura...Não me venham com louvores aos capitães de Abril. Basta já! Há outros louvores a gente anónima que precisam ser prestados urgentemente.


Desejo-vos uma feliz trajetória no caminho da Democracia.E feliz 40 anos de vida aos PALOP como países independentes . 

Por favor vejam isto:



segunda-feira, 20 de abril de 2015

Para o M.(que tem um relógio diferente)


"Quando a gente quer muito uma pessoa, a gente se engana. A gente tenta encaixar aquele outro ser humano em posições que nunca foram dele. A gente clama ao universo para um sim em algo que já começou destinado ao não. A gente quer, e a gente bate o pé e faz pirraça feito criança para conseguir. Mas um dia a gente percebe que amor tem que ser uma via de mão dupla. Amor tem que ser fácil, tem que ser bom, tem que ser complemento, tem que ser ajuda. Amor que é luta é ego. Amor que rebaixa é dor. E então a gente aprende que amor que não é amor, não encaixa, não orna, não serve.

Fique com alguém que não tenha conversa mole. Que não te enrole. Que não tenha meias palavras. Que não dê desculpas. Que não bote barreiras no que deveria ser fácil e simples. Fique com alguém que saiba o que quer e que queira agora...

Fique com alguém que não deixe existir zonas nebulosas. Que te dê mais certezas do que perguntas. Que apresente soluções antes mesmo dos questionamentos aparecerem. Fique com alguém que te seja a solução dos problemas e não a causa.

Fique com alguém que te faça rir. Que te mostre que a vida pode ser leve mesmo em momentos duros. Que seja o seu refúgio em dias caóticos. Fique com alguém que quando te abraça, o resto do mundo não importa mais.

Fique com alguém que não se esconda. Que não te esconda. Que cada palavra seja direta e clara. Que não dê brechas para o mal entendido. Que faça o que fala e fale o que faça. Fique com alguém cujas palavras complementam suas ações...

Fique com alguém que você não precise convencer de que você vale a pena. Que não tenha dúvidas. Fique com alguém que te olhe da cabeça aos pés e saiba, sem hesitar, que é você e só você...."

Marina Barbieri



quinta-feira, 26 de março de 2015

-Mas tens saudades de quê?
-De nada. Tens razão. Não há nada para sentir saudades.
-Então?
-Oh os flechazos são assim...
-Eu sei, eu entendo-te


sábado, 28 de fevereiro de 2015

O amor acontece...quando tem de acontecer

“Que eu não perca a vontade de doar este enorme amor que existe em meu coração, mesmo sabendo que muitas vezes ele será submetido a provas e até rejeitado.” Chico Xavier

Escrevi anteriormente que o coração e os instintos nunca nos enganam. O que acontece é que por vezes gostamos de ser enganados. Também vos contei algumas vezes que desconheço os segredos para se ser feliz no amor e, no último ano escrevi aqui muitas palavras carregadas de dor que mil espinhos, uns atrás dos outros como rajadas de balas, me provocaram.

Até então tinha tido uma vida plácida no que ao amor concerne, i.e, tinha amado muito e tinha sido sempre correspondida, porém sem pré-aviso conheci a rejeição. Quando ainda nem me tinha recomposto bem, o otário do meu coração – que é mais ingénuo que a puta que o pariu-  voltou a meter-se noutra. Coitado, ele até nem teve bem a culpa. Foi a cabeça que o enganou cheia de falinhas mansas. O certo é que eu é que paguei as favas destes mambos todos.

Segui a minha vida e curei-me dessa tristeza agónica que só os desgostos de verdade provocam. Olhei sempre em frente e encontrei alguns momentos de alegria (que não tem o mesmo significado que felicidade). Não deixei nunca de sonhar com o amor mas a verdade é que pela primeira vez comecei a olhar para ele com alguma desconfiança.

Um dia estava deitada na minha cama, muitos meses depois de todas essas turbulências e do meu coração irriquieto já me ter dado uma trégua,  quando comecei a sentir um formigueiro no meu peito. O mesmo aconteceu no dia seguinte. O fenómeno não parou de repetir-se durante semanas. Percebi depois que se tratava de algo muito português. Tratava-se de saudade e eu tratei de pôr uma cara a essa saudade. Não demorei a encontrar o responsável.Tinha um nome muito concreto que memorizei durante cerca de 20 anos. Tinha um cheiro na pele digno de Deuses que de repente comecei a sentir nas ondas do vento irlandês, no autocarro, na fila do supermercado, nas toalhas turcas, nos meus sonhos...

Na minha cabeça começaram a sair balões com pontos de interrogação. Perguntava-me frequentemente “E se ele sente o mesmo e pensa que eu não sinto e por isso nenhum dos dois diz o que sente?”. Só se vive uma vez e eu sou consciente disso, portanto não tive dúvidas que ele ia saber que coisas se andavam a cozinhar no meu coração. Tomei a decisão mas mesmo assim reuni a minha equipa de conselheiros para falar sobre o assunto. A resposta não tardou “se sabes o que queres avança...não tens nada a perder”.
Neste ponto é importante referir que o meu instinto, esse cabrãozinho que tem sempre razão mesmo quando nós queremos muito, mesmo muito que não tenha, começou-me a dizer coisinhas ao ouvido sem eu lhe ter perguntado nada. Coisas do género “nunca lhe fechaste as portas, se não voltou foi porque não quis”. Eu até compreendia o instinto, no entanto repito “só se vive uma vez” e perdido por cem perdido por mil.

Num acto kamikase disse-lhe tudo o que se passava dentro de mim. Há sempre esperança que a resposta do outro lado seja digna dum conto de fadas, mas assim que cliquei no botão “Send” o meu bichinho interior pôs os pontos nos is e, sem papas na língua disse-me com todas as letras “não esperes nada em troca”. Foi tão peremptório que, sem jamais me arrepender do meu acto kamikaze, percebi claramente que tinha sido em vão, que do outro lado não seria compreendida. Sabem quando apostam duas vezes no mesmo número de lotaria? Quais são as probabilidades de que esse número saía? Eu apostei duas vezes neste homem e nas duas vezes perdi. Perdi também o amigo porque já não creio nesta amizade. O amigo, quando não quer como homem, diz na cara que não quer porque...é amigo.

Na vida tudo tem um sentido e essa dor agónica de que vos falei no inicio deste texto é, hoje em dia, a carapaça que me permite passar incólume por estas experiências. A desconfiança com que olho agora o amor é algo que passei a considerar extremamente positivo. Que um homem não me queira, que o mesmo homem não me queira duas vezes já não me derruba. Escrevo-vos isto do fundo do coração e um sorriso na cara. Porque acredito no amor, na lógica das trocas baldocas que a vida tem, nas surpresas e sobretudo na minha máxima favorita “What goes around comes around”.Sei que algo muito, mas muito melhor está reservado para mim. Não me arrependo de ter tentando lutar uma vez mais por algo que poderia eventualmente ser recíproco. Temos de lutar por aquilo que acreditamos, contudo também é importante sairmos de cena com dignidade quando percebemos que do outro lado não há...nada.

Sinto-me livre depois de muito tempo, cheia de esperança e de amor tonto para dar a quem o queira de verdade. Limpei a despensa cheia de teias de aranha e agora cheira a Primavera :)

Primavera no Alentejo

(reparem que o instinto levava meses a tentar avisar-me que isto ia acontecer. O maldito tem sempre razão. IRRA!!!) 

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

White Flag

Não há receitas para viver uma vida plena mas há truques que se vão adaptando às nossas expectativas, à nossa maturidade, ao peso que levamos na nossa mochila.

O caminho é feito de alto e baixos mas se escutarmos o nosso coração ele diz-nos sempre como actuarmos. O que acontece é que nem sempre estamos dispostos a ouvi-lo porque, por vezes, ele põe o dedo na ferida, ao passo que noutras nos atira para o meio da fogueira. Tantas vezes perdemos a confiança nele e nos nossos instintos.  

Assumo que há épocas em que é impossível não discutir com ambos coração e instintos. Assim que começam a falar comigo já estou a olhar para o outro lado e assobiar com cara de quem diz “vão ver se chove, sim?”.Mas no fundo eles são como as avós: têm sempre razão porque têm experiência e nos desejam o melhor.

Não acho nada que a vida se resolve sózinha. Não sou a favor de ficarmos parados à espera que os milagres aconteçam. Só se estivermos cansados e precisarmos correr fôlego para continuar o caminho de forma digna.

E as recompensas, sempre tão belas, acabam mesmo por acontecer...têm de acontecer.


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Peripécias irlandesas: o desfecho

Peripécia - Segundo Aristóteles, "Peripécia é a mutação dos sucessos no contrário". Assim, poderemos considerar um acontecimento imprevisível que altera o normal rumo dos acontecimentos da acção dramática, ao contrário do que a situação até então poderia fazer esperar.

É sempre assim! Quando a dor de dentes já passou a primeira coisa que fazemos é “esquecermo-nos” de ir ao dentista. Já passaram dois meses desde a ultima vez que vos escrevi sobre as peripécias mais marcantes na Irlanda. Creio que já é hora de saberem o que aconteceu depois daquele telefonema. Para mim foi óptimo voltar a reler as dificuldades pelas quais passei porque, agora que voltei a ter estabilidade, como qualquer comum dos mortais, já me começo a queixar da vida rotinária. Por vezes é bom recordar os momentos dificéis para poder saborear com maior deleite as coisas boas que me vão acontecendo. E não dúvidem que a vida não é mais do que a louca perseguição da felicidade. Por isso somos tão inconformados, porque andamos sempre à procura daquela adrenalina que só o prazer em estado puro, i.e, a felicidade, nos proporciona. Amén!

Depois daquele telefonema tive cerca de quinze dias para orientar a minha vida em Dublin. Foi complicado tendo em conta que não conheço cá ninguém que me pudesse indicar as melhores zonas para alugar casa, dicas e truques locais. Sabia de antemão que alugar sózinha seria impossível porque os senhorios requerem cartas de referências de tudo e mais alguma coisa, além da típica documentação que eu nem sequer tinha (NIF, conta bancária etc...). Sabia também que partilhar casa requer um ritual de castings dificil já que existe demasiada procura para tão pouca oferta. Assim, um quarto para alugar a preços exurbitantes pode ser visitado por cerca de 15 a 20 pessoas que são sujeitas a interrogatórios pelos demais ocupantes do apartamento. No fim, ganha o que pagar primeiro ou o que conseguir impressionar mais. Eu tinha ainda o tempo limitado porque tinha de ir a Lisboa buscar a minha roupa de escritório. As casas que via nas páginas de anúncios pareciam-me velhas, sujas e caras e consegui  fazer uma triagem de cerca de 5 apartamentos dos quais só visitei dois. Estava já a começar a fazer-me à ideia de viver o primeiro mês num Hostal para poder procurar com calma quando soube que tinha sido aceite em ambos apartamentos que tinha visitado. No primeiro tive uma química intelectual espectacular com o dono, um irlandês chamado Gino em homenagem aos cantores de ópera italianos. Tinha a casa decorada com artigos adquiridos em viagens por todo o mundo e tinha uma alma limpa, aventureira e descontraída. Tão descontraída que a casa-de-banho comum estava suja. E eu pensei “se está assim nos dias em que vêm pessoas ver a casa, como não estará nos restantes dias?”. O segundo era um beto yuppie. O apartamento era limpo, novo, com casa-de-banho privada, um quarto enorme com cama King Size só para mim e a dez minutos a pé do escritório. É onde vivo há três meses. Lamentarei para sempre não ter escolhido o Gino mas ter um W.C. só para mim faz com que a vida numa casa partilhada seja muito mais leve e sustentável.

Trabalho numa multinacional de origem alemã com cerca de seiscentos trabalhadores. Entre todos falamos cinquenta e seis línguas e acredito que haverá perto duma centena de nacionalidades. É incrível. É como trabalhar na ONU mas sem ter de levar com as mentiras “do mundo melhor”. As perspectivas de crescimento são grandes (embora limitadas) e o cuidado com que os trabalhadores são tratados são factores que eu jamais tinha visto. Não existem hierarquias. As equipas dividem-se por sub-equipas. Existem pessoas de referência dentro de cada sub-equipa mas cada um é responsável pelo seu trabalho. Não faz falta um chefe para eu saber que tenho de fazer isto ou aquilo. A própria rotina diária me faz sentir responsável pelo meu trabalho. Eu sei que se não fizer, os meus colegas de equipa dar-se-ão conta das minhas faltas. O ambiente é descontraído e cada um aporta algo de novo e rico todos os dias. Desempenho uma função para a qual não me preparei académicamente e que não dá especial prazer mas ir trabalhar de manhã não é um esforço.

Financeiramente a Irlanda está a mil anos-luz de Portugal. A empresa tem montes de portugueses, que desempenham aqui num país cheio de frio e escuridão, tarefas que podiam perfeitamente desempenhar em Portugal mas pelas quais seriam pelos menos duas vezes mais mal pagos e teriam mais exigências a nivéis de esforço e trabalho. O mercado tem muitas ofertas portanto quem perde um trabalho à partida encontra outro rápidamente. A equação é, pois, muito fácil. A maioria acaba por ficar “um ano mais” até que ficam a vida toda.

Mesmo assim, a Irlanda não é o melhor país para viver porque o preço das casas e transportes não acompanha o valor dos salários. Quem está acompanhado, em familia etc...talvez não sinta tanto porque as despesas acabam por ser partilhadas e os bens de consumo básico (alimentação higiene) são extremamente baratos e de alta qualidade. Porém, quem é solteiro só fica com a vida resolvida a trabalhar na Irlanda se tiver uma dedicação exclusiva ao trabalho e abdicar de gastar em qualquer extra.

Depois está a questão da socialização. Jamais em toda a minha vida tinha tido problemas para fazer amigos. Na Irlanda garanto-vos que é tarefa árdua. Só muita força de vontade e sorte faz com que se tropece numa ou noutra pessoa. Eu estou há quase quatro meses em Dublin e não tropecei em práticamente ninguém. O tempo não motiva porque está sempre de noite, a fazer frio, a chover ou a nevar e a minha cidade irlandesa é a cidade com o clima mais agradável em todo o país. A vida é sempre mais bonita em companhia e por isso mesmo não desisto. Tento sempre procurar uma auto-motivação para sair e descobrir novos lugares, embora esteja a 0,0001% daquilo que fui. Ao fim de três meses em Madrid, Maputo ou Skopje já conhecia todos os cantos dignos duma visita. Aqui nem sequer sei quais são as ruas principais.

Eu vejo sempre o copo meio cheio, sempre sempre. É isso que me faz andar para a frente. Mas quando hoje olho para trás vejo que a Irlanda tem sido o país mais dificil que aterrar. Estar a ponto de ser “expulsa” dum autocarro na Bosnia, no meio dumas montanhas cheias de minas herdadas da guerra dos Balcãs não é nada comparado com a dureza da Irlanda. Ser abordada pela polícia moçambicana é papas de açorda- Talvez seja porque a Irlanda encerra (espero eu) o periodo mais negro da minha vida, talvez seja porque este clima não é mesmo para meninos, o certo é que desta vez não vos vou contar histórias com finais felizes.

Mesmo assim não me arrependo em nenhum momento de ter vindo para cá. Mudaria algumas coisas tais como aqueles primeiros meses em Cork à espera dum milagre laboral. Tinha de ter agido mais rápido. 
A Irlanda devolveu-me a minha dignidade laboral, o meu espírito independente e senhor dono do meu nariz. Agora posso sonhar outra vez e concretizar alguns desses sonhos que precisam de um bom background financeiro (A-F-R-I-C-A). Em Portugal estaria com a cabeça baixa, a queixar-me de tudo. Não, definitivamente o meu lugar não é o meu país. Bem dita a hora que aproveitei o último fôlego que me restava, fiz as malas e parti outra vez.

Contudo e, já para concluir, eu vim à procura dum balanço entre pessoal e profissional mas a minha balança estragou-se. Foi num súbtil momento que eu agora já consigo mais ou menos identificar. Não posso forçar a reparação embora deseje muito encontrar o equilibrio. Tenho 336 dias (Janeiro  já passou) para dar a mão à palmatória à Irlanda. Semanas e semanas de oportunidades que eu tenho para dar a este país verde e bonito mas também é verdade que só se vive uma vez. Quando esta quantidade de dias chegar ao fim, se a balança continuar avariada, não estranhem se encontrarem no parte superior deste blog um novo separador com nome de país ou cidade. Porque as peripécias são para ser vividas e não para roubarem brilhos no olhar...

Desejo-vos,pois, uma vida a abarrotar de peripécias.

Rio Liffey Dezembro de 2014

Vista parcial de Dublin desde o ponto mais alto da cidade





domingo, 28 de dezembro de 2014

A luz de Lisboa

Belém, Outubro de 2013 (dia de um reencontro muito especial)
Assim que o avião começou a sobrevoar a foz do Sado a paisagem vista da mínuscula janela encheu-se daquela luz que só Lisboa tem. Aiiii, e já sei que sou uma melga porque repito sempre isto mas Lisboa é tão boa, tão bonita, tão única. Porque será que não há lá forma para todas as botas?

Aproveitem vocês que estão ai e fazem de Lisboa e de Portugal um lugar deveras especial...A luz só por si não brilha sem vocês.

FELIZ NATAL
O meu Natal 2014 em família

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Vitamina D

Antes de voltar às "peripécias" passei por aqui só para dizer que preciso de SOL e de SUL


sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Insólitos Irlanda #9


Sabem quando vamos a um restaurante pré-pagamento e a comida que pedimos ainda não está cozinhada? Normalmente há duas opções: ou ficamos no balcão, junto à caixa e esperamos, ou nos sentamos e depois o empregado vem trazer à mesa.

Na Irlanda, numa situação semelhante, o empregado da caixa entrega-nos uma maquineta e diz para esperarmos sentados. Quando a nossa comida está pronta, a maquineta farta-se de piscar umas luzinhas vermelhas visivéis até do outro lado do mundo. Dirigimo-nos ao balcão et voilá!


quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Peripécias irlandesas: Hostal III

Peripécia - Segundo Aristóteles, "Peripécia é a mutação dos sucessos no contrário". Assim, poderemos considerar um acontecimento imprevisível que altera o normal rumo dos acontecimentos da acção dramática, ao contrário do que a situação até então poderia fazer esperar.

Bom, não quero que fiquem a pensar que as pessoas que estão nos hostal pertencem todas a um estereotipo psicológico que varia entre o louco e pirou de vez. Muito pelo contrário, nesta minha experiência encontrei pessoas incrivelmente simpáticas e lutadoras. Partilhei quarto com mais de trinta pessoas em meia-dúzia de dias. Os cromos contam-se pelos dedos de uma mão. Todas as demais pessoas com quem me fui relacionando eram muito agradáveis. É impossível falar com toda a gente que está de passagem por um Hostal, mas hà sempre caras que se repetem porque têm os mesmo horários de refeição ou os mesmos hábitos.

O Abraham´s Hostal deixa muito a desejar em termos de instalações, mas por ser o mais barato da cidade é muito procurado para instâncias de vários dias. Foi por isso que conheci muitos jovens, sobretudo espanhóis, que estavam nas mesmas condições que eu. Tinham deixado para trás os seus países e traziam na bagagem formações topo de gama e vontade de fugir ao desemprego. Os espanhóis vêm sempre dispostos a trabalhar em qualquer coisa porque sabem à partida que o nível básico de Inglês que têm não lhes permite inicialmente sonhar muito além dos típicos trabalhos não-qualificados. Era frustrante encontrar-nos cada final de tarde na cozinha, cada um sumido no seu silêncio. Quando abriamos a boca era para contar onde tínhamos ido distribuir CV´s. Cada dia uma nova ilusão que se acabava por se romper semanas depois. Eu estive assim demasiado tempo para saber o quão dificil é e compreendo aquela sensação de desespero e de inutilidade que se vai instalando em nós, quando já buscámos em todas as partes e não encontrámos um emprego que nos devolva alguma dignidade. O dinheiro vai diminuindo na conta e o caminho começa a ser tão estreito que o ar parece que rareia. E o mais frustrante é que o dia que encontramos um trabalho não podemos acreditar. Achamos que a qualquer momento nos vão ligar a dizer “desculpe mas foi engano. Você não vale para este posto, nem para nenhum outro. Vamos dá-lo a outro desgraçado”

Foi, pois, com grande alegria, que as primeiras pessoas a saberem que tinha encontrado um trabalho, foram os companheiros de Hostal. Foi uma coincidência. Eu estava na cozinha metida comigo mesma e com a cara quase dentro do ecrã. À minha volta estavam três ou quatro caras conhecidas igualmente sumidas. Ligaram-me para dizer que o posto era meu e quando desliguei fiquei abobada. Levantei a vista  e estavam todos a olhar para mim. Foi então que lhes disse “Tengo trabajo, I got a job” e todos aplaudiram.  Dias antes tinha estado num hotel em Madrid com muito mais estrelas que o Abraham´s (que em caso de ter estrelas devem ser cadentes) e tinha sentido um vazio e uma solidão muito maiores que a familiaridade que sentia no Hostal.

Não sou hipócrita e sei perfeitamente que não quero voltar a repetir a experiência. Adoro chegar à minha casa e encontrar tudo limpo e organizado. Gosto de ter os meus shampôos todos dispostos na banheira, sem estarem encafuados numa bolsinha. Se me apetece ando descalça e nem por isso apanho pé-de-atleta. Se desaparecer alguma coisa é porque a mudei de lugar e não me lembro, e não porque alguém a roubou. Mesmo assim, vejo que a vida está cheia de malditos atalhos que nos vão maltratando e deixando marcas. Umas esquecem-se rápidamente, outras nem por isso. Uns arriscamos e vivemos mais. Outros nem por isso. Talvez aos olhos desses outros, estes relatos das minhas peripécias não passem de loucuras, de perdas de tempo, de coisas sem utilidade. Mas há sempre alguém, algum livro, alguma paisagem nos quais tropeçamos que fazem com que cada segundo destes “tempos perdidos” valham a pena. Que justificam o sofrimento, a solidão e o rancor que tantas vezes sentimos quando escolhemos viver fora da “zona verde”.

Da experiência de viver num Hostal, trago além de todas estas histórias e outras tantas às quais vos poupei, três pessoas: o Manel e o Pedro, dois portugueses da margem Sul e a Francis, uma canadiana de 75 anos que ainda viaja de mochila.
Eu já tinha feito o check-out e pensava que já não voltaria a ver essa Lady tão simpática e jovem (que há noite se transformava numa máquina de roncar com direito a diferentes ritmos e sinfonias). Eis que numa dessas casualidades que a vida tem a voltei a encontrar nas ruas de Dublin. Fomos caminhar e almoçar juntas e falámos muito sobre muitos assuntos: livros, viagens, família etc...Ela dizia que tínhamos o mesmo sentido de humor. Foi-me levar ao meu novo Hostal e na despedida disse-me algo que me marcou muito e fez com que me emocionasse. Disse-me que nunca mais me esqueceria. Garanto-vos que se alguém jovem me dissesse o mesmo não teria um impacto tão grande. Que uma pessoa de 75 anos, depois de ter vivido tanto, viajado por aí e conhecido tanta gente me diga isso é porque realmente houve algo que fez com que eu me tornasse especial para ela.  

TO BE CONTINUED...

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

O que é doce nunca amargou...

Desculpem a presunção mas não se pode ser sempre humildezinha.
Uma pessoa gosta de ouvir ao longo dos anos coisas como "aii tu és tão parecida com aquela actriz..." ou "Ui fazes-me lembrar a cantora tal"

Hoje no trabalho disseram-me que pareço uma das actrizes dum filme do Fellini (não vou dizer qual)...e foi uma senhora casada e já entradota de idade que me disse, ou seja, sem segunda sintenções.

Ufff...os cremes funcionam mesmo :)

Fellini
E ter dado beijos ao Marcello Mastroianni teria sido mamma mia!