sexta-feira, 8 de maio de 2015

Belfast, Irlanda do Norte (UK)

Fonte: titanicbelfast.com
 Sei que o estaminé anda um bocado abandonado. Desde que vim viver para Dublin deixei de falar das minhas experiências culturais. Na verdade não é por falta de vontade mas não vos tenho contado nada porque me tenho deparado com algumas condicionantes que me impedem de o fazer: não sei se ainda consigo escrever bem e bonito em português e aqui está sempre a chover, é tudo muito caro e eu não sei para onde fugiu a minha curiosidade natural.Mudasti? Sim...

Como já tenho muitas saudades desde dedelhar apaixonante do barulho das teclas do computador quando tenho algo dentro do coração que quero partilhar com o mundo mais além do meu ecrã vou tentar reunir nas próximas semanas as poucas descobertas culturais e humanas que tenho feito.

Começo pela Irlanda do Norte. Convido-vos a que vejam no mapa a divisão geográfica da Irlanda do Norte e da Républica da Irlanda. A primeira pertence ao Reino Unido, ou seja, é uma monarquia, a autoridade máxima é a Rainha de Inglaterra e, entre outras coisas, usam libras. A segunda, a minha, é independente há quase um século, usa euros (troika etc...), é uma República e a igreja católica ainda é a religião maioritária. A primeira teve a IRA e o famoso domingo sangrento que inspirou a musica “Sunday Bloody Sunday” dos U2. A segunda teve (tem) os U2.

A fronteira está a menos de uma hora de Dublin. Como o mundo é muito pequeno, tão pequeno como uma ervilha descobri que a minha amiga da escola secundária e de tantos projectos de voluntariado, a Edna Monteiro, vive do outro lado da fronteira, já dentro do UK numa pequena vila chamada Portadown cheia de portugueses, lojas portuguesas e até discotecas com ritmos lusófonos. Fui vê-la duas vezes e encontrei uma mulher com uma família linda, ruidosa e muito caboverdiana. São, agora, o meu cantinho Palop neste deserto verde e húmido chamado Irlanda (seja do Norte, seja Républica).

Na semana passada as duas viajámos até Belfast, a capital da Irlanda do Norte. Plano: ficar hospedadas na casa da Nena e da Neuza, duas “primas” da costa alentejana e à noite ir a uma “escaldante” festa africana.  De escaldante nada porque o potencial de bailarinos era under 18. Fica para a memória o delicioso Lazy Sunday passado no sofá da sala, a nossa private pijama party.

Juro que tentámos visitar a cidade mas o tempo estava tão feio, tão pouco convidativo ao passeio que o monumento que requereu maior atenção da nossa parte foi a Primark da Royal Avenue instalada no histórico edificio “The Bank Buildings”. Fomos até à bilheteira do Titanic Experience. A entrada custa 15 Libras e acredito que valha muito a pena. Para os mais distraídos o Titanic foi construído em Belfast e a viagem inaugural (e única) partiu de lá. A história da cidade respira Titanic e brinda tributo a esses tempos aúreos em que era um dos maiores estaleiros  do mundo.

Digno de visita é também o Castelo de Belfast e a Câmara Municipal da cidade, o Belfast City Hall. A cerca de uma hora, no extremo norte da ilha está a “Calçada de Gigantes” a maior atração turística das duas Irlandas. Trata-se de uma quantidade imensa de rochas vulcânica esculpidas pela natureza que parecem uma calçada à escala de gigantes.

Belfast é actualmente muito conhecida também pela série “Game of Thrones” gravada em parte lá e com alguns actores irlandeses. Há tours direccionadas só para a série.


Realmente o tempo não ajudou mas combinámos tentar outra visita cultural à cidade a meados do Verão. Eu fiquei com vontade de conhecer e desfrutar mais o ambiente da cidade. De qualquer forma não me pareceu uma cidade demasiado vibrante e apelativa. Veremos se mudo de ideias no próximo Verão...

Eu e a chuva no Titanic Experience


2 comentários:

Patricia Pereira disse...

Fantastica como sempre!
Pensei que ja te tivesses habituado com o tempinho que aqui se instala.
Para quando uma visita a Escocia? Acredita que ficavas encantada com este pais.
Uma beijoca muito grande xxx

Ofélia Queirós disse...

Acho que nunca me vou adaptar a este clima. Na verdade irrita-me profundamente esta escravidão da chuva, do frio e do vento. Ando há 10 meses de kispo. Quero muito ir à Escócia. A ver se combinamos. Espero que estejas bem.Um beijinho