quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O Lago Ohrid e a Felicidade


















A água foi e será sempre uma inspiração para os seres humanos. Talvez por, segundo os cientistas, a vida Humana ter começado na água...Talvez porque a água nos transmite verdade, paz, terror, miséria. Enfim, sentimentos inerentes à condição humana.
Há alguns dias tive o privilegio de conhecer um sitio povoado de magia e História: o Lago Ohrid no Sul da Macedónia.
Para os Macedónios Ohrid é o Mundo. Falam dele como de um precioso tesouro. Talvez seja tendo em conta que a Macedónia não tem muitos pontos que atraiam turistas , excepto Ohrid e as pequenas vilas contíguas, que no Verão se enchem de gente de todos os cantos do mundo que vêm brindar a este pequeno grande paraíso. À parte a realidade turisitica, Ohrid é um lugar cheio de História. Chamam-lhe a "Pérola dos Balcãs". Foi lá que Saint Clement aperfeiçoou a escrita cirilica etc...
Quanto aquilo que vivi e senti.Quanto à magia do lugar e dos meus sentimentos confesso que tendo em conta todas as referências que tinha de Ohrid fiquei um pouco desiludida. Esperava uma grandiosidade fora de comum mas talvez seja apenas porque a minha grandiosa referência é o Oceano Atlântico... Contudo foi inspirador olhar para aquele Lago de águas límpidas, rodeado de montanhas cobertas de neve e ,ainda assim, sentir o sol de Inverno aquecer-me a pele, queimar-me as sardas no rosto, abrir-me um sorriso e encher-me a alma de alegria.É bom estar num sitio onde as águas ainda são claras-mesmo transparentes-ver barquinhos de madeira atracados a estacas artesanais,escarpas com pequenas casinhas, ruas pequeninas com pavimento provavelmente colocado na Era Otomana. Encontrar igrejas, Castelos e vestígios arqueológicos de um tempo que o meu cérebro não consegue alcançar pela quantidade de zeros.( as vezes dou-me conta que a Humanidade já existe há tanto tempo....).
Sentei-me no muro de uma dessas igrejas ortodoxas construídas em rochas que se debruçam sobre a agua do Lago(ver foto).Inspirei o ar fresco.Senti o vento e a energia. Algures nas montanhas do lado direito estava uma das fronteiras com a Albânia(um dos antipáticos vizinhos). Pensei na vida. Na situação privilegiada. Imaginei o futuro e não vislumbrei nada. Pensei que as vezes a vida é como o Lago Ohrid. As águas são aparentemente paradas mas no interior há sempre nascentes que trazem novo fôlego e que fazem com que o Lago seja tão límpido, transparente e fresco. Há sempre algo que acontece. Há 1 ano atrás estava a trabalhar no Serviço Pós-Venda da Worten. Era extremamente infeliz mas descobri tantas coisas sobre mim. Agora estou aqui tão longe dos que amo mas a aprender a amar outros. Talvez não torne a ver os amigos que aqui fiz mas serão sempre meus amigos. Sem eles não seria igual. Eles não sabem (talvez saibam) mas ajudam-me a entender aquilo que tenho e a aceitar aquilo que os outros têm. Às vezes choco-me, outras vezes emociono-me. Na maioria das vezes amo a herança cultural portuguesa.
Nestes dias em Ohrid vivi novamente momentos que me marcaram profundamente.
Aqui vivo numa espécie de Torre de Babel. Por vezes quase morro de prazer. Outras vezes assusto-me com as diferenças e a violência expressa nestas diferenças.
Claro que, perto do Lago, acompanhada ou só, a paz existe. Ou talvez nunca exista realmente. Ou talvez eu queira muito que ela exista. Falo agora da paz interior, ou seja, paz de espírito. Será possível alcançar a paz de espírito mesmo quando se é extremamente feliz?Silenciar, por segundos, os sonhos, as ambições, os medos, o sofrimento, as recordacões? E como se faz para se aprender a ser ainda mais feliz?E como se faz para fazer os outros felizes?E ainda mais felizes?
Percebi que nunca se vive totalmente em paz. Percebi que a felicidade é escolhida por nós sem influências astrológicas ou raio que o parta(ao Zodíaco).
Ora reparem, eu estava quase em cima do Lago Ohrid e não estava mesmo feliz. Pensei " E se o Lago fosse o meu Atlântico é que eu era mesmo feliz". Em Portugal passo meses sem ver o Oceano e sou feliz e sou infeliz. Significa que não preciso dele para ser mesmo feliz.
Portanto, concluo que a felicidade é comandada pela nossa vontade.
Assim, sugiro que sejam bons comandos e criem os vossos momentos de felicidade. Por exemplo eu sinto-me muito feliz quando sinto que estou viva. Sinto, sinto, sinto!

2 comentários:

Marta disse...

Brutal!!!

inês disse...

é inspirador, reconfortante ler as tuas palavras...
a distancia permite-nos pensar mais claramente...
obrigada sónia.
inês