quarta-feira, 27 de agosto de 2008

A vós me confesso Senhores


















Caros Leitores
Depois de 3 posts parece-me que este é o momento de partilhar convosco os meus maiores pecados mortais.
Depois de puxar pela memória (já são 25 ináuditos anos) ocorreu-me que o maior pecado seriam as traquinices da adolescência.
Haverá algo pior que chamar pizzas e táxis para a vizinha mais coscuvilheira só para a ouvir dizer" Alguém me anda a tramar, logo a mim que sou tão séria e tenho tanto juízo", ou colocar açucar no tapete de outra vizinha ao ponto de ela ter pensado que que se tratava de bruxarias e outras superstições do Diabo.
Recentemente encontrei na Estação de Santa Apolónia um telemóvel 3G, Samsung E880. Estava com pouca bateria por isso decidi, cheia de remorsos, acelerar o processo de descarregamento e desliguei-o. Tenho procurado, em vão, em todas as casas da especialidade um carregador compatível.Não encontro.Bem feita para mim!
Poderia continuar a minha epopeia de pecados e falar-vos de episódios relacionados com Gula(tenho muitos) mas o momento pecaminoso que mais me perturba a mente e corrói a consciência há alguns anos chama-se "velha aldeia da luz" e foi provocado pela mais vil Avareza.
Aconteceu assim: poucas semanas antes da velha Aldeia da Luz-Baixo Alentejo ter sido cruelmente engolida pela águas do Guadiana fui visitá-la.
Era final de tarde de um Inverno assassíno. A aldeia, outrora com vida, parecia deserta e fantasmagórica. Sabia, por ter ouvido na comunicação social, que ainda a habitavam 2 ou 3 famílias mais retinentes em abandonar memórias.
Reparei numa casa com luzes acessas e na proeminente roseira do quintal da frente que ostentava 3 lindíssimas rosas vermelhas. Decidi ROUBAR 1 delas. Queria o meu souvenir. Algum tempo depois, já na Azambuja, a rosa murchou.
Até hoje essa má atitude permanece na minha mente como uma faísca quente e ansiosa. Oxalá eu lhes pudesse devolver a memória que se perdeu na voragem do tempo e nas águas do rio.
O povo alentejano, o mais puro e lutador de Portugal, já passou por tantas provações ao longo da História. Depois do país lhes roubar a Identidade e afogar o passado que direito tinha eu de lhes roubar aquela rosa, cor de Paixão?
(nota:a imagem mostra a aldeia da Luz a ficar submersa)

1 comentário:

Filomena Barata disse...

Obrigada Sónia por este texto.