sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Braga



A minha viagem pelos caminhos de Portugal continuou em direcção a Braga.Confesso que o corpo já estava um pouco cansado portanto faltou-me a energia para percorrer Braga de fio a pavio.

O que mais me impressionou foi a vida que a cidade tem. Imaginava Braga uma cidade pequena, como tantas outras de Portugal, com meia-dúzia de serviços que permitam justificar a denominação de cidade. Enganei-me de todo. Seja pelo pólo universitário que enche a cidade de estudantes e de vida nocturna, seja pela própria população local, Braga pareceu-me uma cidade bastante agitada. Outra coisa a reter é a quantidade de igrejas monumentais e pequenos jardins urbanos, assim como o verde que rodeia toda a cidade.

Jardim de St.Bárbara

Av.Liberdade

Fiquei com muita vontade de voltar. Um dos dias da minha viagem coincidiu com a greve geral portanto fiquei bastante limitada em termos de mobilidade dentro e fora da cidade. Muitos monumentos estavam fechados e não havia autocarros. Assim, decidi subir a pé até ao Bom Jesus de Braga. São cerca de 5 Km desde o centro da cidade. Existe a opção de caminhar paralelo à via rápida ou seguir pelo meio dos bairros locais. Eu escolhi caminhar pelo meio dos bairros. Pareceu-me mais seguro e um simpático vendedor da Bertrand disse-me que por este percurso poderia sentir o cheiro das laranjeiras.

Não senti o cheiro das laranjeiras mas fiquei impressionada com a mistura de rural com urbano. Pelo caminho fui encontrado carros e vacas, casas modernas e challets antigos e tive um íntimo encontro com o Outono.





Depois de subir, subir, subir, por fim cheguei ao escadório do Bom Jesus de Braga. Podia optar por subir os 581 degraus ou apanhar o funicular. Decantei-me pela segunda opção. 1,50€ (2€ ida/volta). Sentei-me na esplanada a tomar um cimbalino e a desfrutar das magníficas vistas. Adorei o jardim circundante mas confesso que a Catedral não é nada de especial. Depois desci a pé e voltei ao centro da cidade já um pouco cansada de caminhar. 







 Quando cheguei ao HostalPop Braga tinha à minha espera uma iniciativa que visa promover o turismo alternativo, i.e, o turismo para além dos principais monumentos de interesse cultural etc...A Helena, a simpática dona do Pop Braga- um Hostal que recomendo pelo acolhimento familiar e pela limpeza, sobretudo dos WC- tem uma amiga que defende um tipo de turismo mais alternativo. Assim, convidou os hóspedes a jantarem sendo que nós é que fizémos o jantar: pataniscas de Bacalhau com arroz malandro. No fim, fez-nos um vídeo a perguntar o que tínhamos achado da experiência e se, na qualidade de turistas, estaríamos dispostos a pagar para ter uma experiência como essa. O vídeo seria apresentado numa junta não-sei-quê para, quizás, conseguir financiamento e poder levar o projecto adiante. Oxalá que sim. Viva o empreendorismo jovem! Abaixo o pessimismo!


Para a memória dos dias em Braga fica a visita à livraria 100ª página, instalada na Casa Rolão, no centro da cidade (uma sugestão do Pop Hostal). Sinto um fascínio por livrarias-cafetarias. Quando for grande quero ter uma e esta era a ideal. Num edifício antigo do século XVIII, estilo barroco e um empregado que sabe tudo sobre livros. Como se não fosse suficiente vejam quem é que estava à porta a fazer de cicerone:



A minha viagem pelo Norte de Portugal terminou aqui. Depois andei 1 ½ semana entre Lisboa, Sintra e Azambuja a despedir-me da família e dos maravilhosos amigos. Voltei para Espanha a bordo do Lusitânia TrenHotel e foi das viagens mais aborrecidas que fiz. O comboio parte de Santa Apolónia às 21h18 portanto todo o trajecto é feito em plena noite. Quando, por fim, cheguei a Madrid, fui recebida por uns simpáticos 5ºC!!!
Apaixonei-me pelo Norte do meu país, pelas sua gentes, pelo ar fresco e pelo intenso verde das paisagens. 

 Obrigada Portugal


Crónicas do Porto IV: a amizade não tem fronteiras

Foi num atardecer triste, num canto da Marabunta, que ouvi o poeta David Eloy Rodriguez declamar o poema da sua autoria "Brindis" . 

Ao  ouvir 

Brindemos por el recuerdo de los buenos, y por el viento que dispersa las cenizas.

não pude conter a emoção e deixei escapar uma ou outra lágrima.  

Ao meu lado estavam a Vanessa e a Bárbara. 

Felizmente, as coisas são assim e o vento ajuda mesmo a dispersar as cinzas e a dor e o vazio que aqueles que partem deixam nas nossas vidas. Todos sabemos que ninguém substitui ninguém no entanto, se estivermos atentos e receptivos, a vida por vezes traz-nos uns presentes maravilhosos. 

Esta é a minha ultima crónica sobre o Porto. Muitas coisas ficam por contar e por sugerir. O melhor é que visitem vocês mesmo esta cidade tão encantadoramente decadente. Esta é também uma forma de dizer Obrigada à minha amiga madrileña, a Vanesa, pela sua amizade e pela óptima companhia na viagem ao Porto. 

E aqui estamos nós, com um Porto achocolatado, a fazer um Brindis à Amizade, à Lingua Portuguesa, a Madrid e ao Porto. 



 


BRINDIS

La vida pasa derrumbando edificios. Deja palomas muertas, palabras rotas, sangre seca, direcciones ilegibles, llaves oxidadas, silencios.


Pero que eso hoy no nos importe, que no nos impida enumerar las razones que tenemos para vivir.


Brindemos pues por esta bendita lumbre: la vida, esta casa en los acantilados de la que somos huéspedes, este vals con el sepulturero.


Brindemos, aunque sea invierno, porque hay primaveras.


Brindemos por los presos, por los heridos, por los enfermos.


Brindemos porque logramos ir al asombro como al aire, porque hemos averiguado el sabor del agua en lo oscuro y cómo muerden los dientes verdaderos, porque hay puentes y océanos y misterios y multitudes y siembras y planetas.


Brindemos por los viajeros que en un segundo se cuentan todo con los ojos.


Brindemos porque es posible convertir la vida en palabras, las palabras en vida.


Brindemos por la transformación.


Brindemos porque podemos hacer, hacer, hacer.


Brindemos por los momentos que justifican la existencia, por lo que permanece, por las marcas indelebles como cicatrices al sol.


Brindemos por las resistencias, por los motines, por los fugitivos.


Brindemos por los que llegan a tiempo al amor y por los que no.


Brindemos por los que no saben, o no pueden, o no quieren brindar.


Brindemos por el recuerdo de los buenos, y por el viento que dispersa las cenizas.


Brindemos con una copa unánime por saber siempre ofrecer, como hoy, un ramo de flores a los vivos.


David Eloy Rodriguez

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Crónicas do Porto III: O Mercado do Bolhão



No meu imaginário o Mercado do Bolhão representava a essência do Porto. Desde sempre recordo as campanhas eleitorais passarem por ali e dos políticos, com um ar muito polite, darem beijinhos (enojados) às peixeiras.

Nas outras passagens pelo Porto não tinha tido oportunidade de entrar e ver aquele buliço de gente, cores, cheiros e...decadência. Admito que fosse ingenuidade ou ignorância mas pensava que o Bolhão era um espaço onde apetece estar. Senti, sim, vergonha alheia. E uma quase pena pela pobreza que vi nos feirantes. Jamais, no meu ingénuo imaginário, pensei que o Bolhão oferecesse tamanho espectáculo de decadência a quem o visita. Embora as cores dos legumes, flores, bancas de pão, peixe etc...sejam apelativas, eu pensaria duas vezes antes de comprar o que quer que fosse por questões sanitárias. A família de pombas “bolhanenses” não me inspiram qualquer confiança, assim como as próprias instalações do Mercado.

Intrigada e desapontada resolvi investigar porquê um dos maiores ex-libris da Invicta é “assim”. O que descobri deixou-me com os cabelos em pé. No que toca a política e políticos estamos mesmo metidos num novelo de lã. Afinal, todos são compadres e servem exclusivamente os seus próprios interesses.

Ora vejamos, o mercado “caracteriza-se pela sua monumentalidade, própria da arquitectura neoclássica…”  blá,blá,blá...data de meados do século XIX e desde princípios do século XX que se planeiam reabilitações várias, no entanto, foi na década de 80 que a decadência do Bolhão começou a não poder ser ignorada. Assim, desde (+/-) 1992 até 2007 esteve pensado um projecto de reabilitação do arquitecto Joaquim Massena. Foram criadas várias diligências mas em 2007 a Câmara do Porto decidiu abrir um novo concurso (imagine-se...depois de 15 anos a investir num projecto específico. Digam-me lá se não é atirar dinheiro fora?!). Não vos quero maçar porque sei que vocês já podem adivinhar como termina esta “estória” tão idêntica a outras “estórias” que os nossos amigos, os políticos e os empresários, nos costumam oferecer.

Bom, resumindo, a empresa que ganhou o projecto, a construção e exploração do espaço para os próximos 70 anos, uma empresa imobiliária holandesa, a TramCroNe, prevê a demolição total do interior do Bolhão, por considerar a actual degradação um impedimento à rentabilização. Entre outras maravilhas do mundo civilizado pensam construir um centro comercial, apartamentos de luxo etc...e apenas 3% da área será cedida aos feirantes que fizeram do Bolhão um lugar vivo na cidade do Porto. Sim, 3%!!!Ah e esta medida seria tomada com a total conivência do Presidente da Câmara do Porto.

Como seria de esperar, gerou-se a revolta entre os feirantes que imediatamente receberam o apoio massivo da sociedade portuense e portuguesa. Foram criados movimentos cívicos, recolheram-se assinaturas que foram entregues na Assembleia da República com o objectivo de travar o “assassinato” do Bolhão e da Identidade da cidade e dos cidadãos.

Até ver está tudo em águas de bacalhau mas espero sinceramente que toda esta situação reverta a favor do Bolhão, dos feirantes, dos portuenses e dos turistas. Penso também que o Sr.Rui Rio faltou totalmente ao respeito a todos nós ao ser cúmplice com tamanha barbaridade.  Demonstra que não está nem aí para os interesses gerais.

Por outro lado, aqueles que são cúmplices com este tipo de iniciativas elitistas, demonstram um profundo desconhecimento daquilo que simboliza um mercado desde o ponto de vista histórico, social, cultural e, porque não, antropológico. Desde sempre que os mercados foram espaços vivos, de troca, de negociações, de encontro. São mesmo o único espaço onde me parece que se dá um encontro entre pessoas de qualquer índole política, religiosa etc... Por exemplo: se eu não gostar de ler não vou a bibliotecas, se eu não gostar de centros comerciais não preciso de ir e por aí fora...mas todos precisamos comprar alimentos...

Quem já visitou o Mercado de San Miguel, em Madrid, ou algum mercado londrino, sabe que os mercados têm conteúdo para serem muito mais que um sítio onde se vai apenas comprar comida. Porque não recuperar os mercados de bairro? Porquê construir desenfreadamente centros comercias e espaços esterilizados, desprovidos de Identidade?

E veremos o que será no nosso Mercado da Ribeira, em Lisboa. Até me dá medo...







quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Crónicas do Porto II: Galeria de Paris, Livraria Lello & Irmão, Jardins do Palácio de Cristal e outras tretas...

Tal como Almeida Garrett, cidadão portuense, poderia começar esta crónica com a célebre frase das Viagens na Minha Terra Abalam-me as instâncias de um amigo porque foi um simpático conhecido que me sugeriu que visitasse a cafeteria Galeria Paris, na Rua Galeria de Paris, perto dos Clérigos e da livraria Lello & Irmão.

O verdadeiro conceito vintage espontâneo de bom gosto está revisitado neste discreto espaço. Desde fora apenas desconfiei que era a cafeteira que procurava pelas sumptuosas janelas e portas de madeira. À parte isso só a pequena chapa de metal à entrada e algum ou outro cliente que se deixa ver através da penumbra da janela me fez atrever-me a entrar.

De entrada fui recebida por uma simpática jovem italiana que se esmera por falar bom português e com sotaque do Norte, que merece o prémio Nobel da simpatia, sorriso bonito e amabilidade. Depois, além de desfrutar de um magnífico pequeno-almoço pela módica quantia de 1,80€ com direito a bolo de chocolate caseiro que, aliás,  perfuma o ar da cafetaria tive permanentemente a sensação de dejá-vu já que a decoração é feita com objectos antigos: brinquedos, balanças, placas de informação, máquinas registadoras muito antigas etc...
Como era Sábado dei um saltinho à rua de baixo, a Cândido Reis e passeei na feira de artesanato e artigos de 2ª mão.

Salão da Cafetaria Galeria Paris

Detalhe da Galeria Paris

Pequeno-Almoço Galeria Paris 1,80€


Livraria Lello & Irmão

Segundo o meu amigo André, a Livraria Lello & Irmão é a mais antiga do Porto quizás de Portugal. Nos últimos anos tornou-se internacionalmente conhecida por ter sido palco de gravações da saga Harry Potter (para quem não sabe J.K.Rowling viveu no Porto e escreveu as primeiras páginas de Harry Potter sentada numa cafeteira da cidade).
É considerada a 3ª livraria mais bonita do Mundo mas poderia perfeitamente ser a livraria mais bonita de todas. As paredes estão cobertas de prateleiras de madeira maciça. Na parte superior há livros antigos cobertos de pó e na parte inferior livros modernos. No andar de cima há um discreta cafetaria onde vi um romântico senhor de chapéu de feltro a tomar um vinho do Porto, porém o ex-libris da livraria é a escadaria central. Nunca tinha visto nada assim! Para que fosse ainda mais inesquecível comprei "O conto do vigário", de Pessoa (e como não?!).

Tenho apenas a apontar negativamente o comportamento aberrante do senhor que estava na caixa. Um homem com cerca de 60 anos que cheirava muito a álcool e que, além de trabalhar na livraria, se dedica a fazer figuras tristes em frente aos clientes. Toma a confiança de dizer baboseiras de teor sexual a gente que não conhece de lado nenhum. A mim, por exemplo, quando elogiei o excelente trabalho e atenção de um jovem funcionário da livraria começou com insinuações despropositadas sobretudo, tendo em conta que sou cliente e que nunca me tinha visto mais gorda!!! Uma livraria tão bonita merece outro cartão de visita.

Interior Livraria Lello & Irmão

                                                                        Fonte: Google.pt


Jardins do Palácio de Cristal

Ai...suspiro...Já tinha estado nos jardins o Palácio de Cristal e já sabia que são uma das 7 maravilhas do mundo. O El Retiro bem pode ter inveja destes jardins tripeiros. E o mais impressionante é que quando pensava que não pode haver maior beleza, mais frescura, tanto romantismo percebo que, afinal, há mais jardim mesmo ali ao fundo na esquina. E sigo pisando o manto de folhas- crrrá, crrrrá, crrrá- e eis que ainda há muito mais por ver. Ao lado esquerdo o rio Douro e ao fundo a Foz. Pelo meio esse velho casario que se estende até ao mar. E, ainda mais na próxima esquina, o Museu do Romantismo que nem precisava de ter um Museu entre 4 paredes porque o jardim que o rodeia já é o elogio ao Amor: pelas vistas, pelas flores de cores quentes e pelos casalinhos de apaixonados que embelezam a paisagem.



Para comer, recomendo, como não poderia deixar de ser, Francesinhas. Dizem que as melhores são as do Restaurante Afonso, na Rua da Torrinha. A preguiça de andar e a chuva lá fora "obrigaram-me" a comer na Via Catarina. Estava boa a Francesinha mas como seria de esperar fiquei com o estômago rebentado. No outro dia apetecia-me mesmo, mesmo, mesmo um peixinho fresquinho. Assim, em Gaia, um simpático rapaz sugeriu-nos o S.Gonçalo mesmo em frente ao rio. Estava tudo muito bom e os preços também. De qualquer forma se procurarem bem, no meio do bairros há boas ofertas de menú. Atenção aos buffets. Normalmente não compensam muito menos num país onde se come muuuito bem!

Montra de bolos na Rua dos Clérigos

Padaria no Mercado do Bolhão

Mista de Peixe no S.Gonçalo

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Crónicas do Porto I





"Que viaje à roda do seu quarto quem está à beira dos Alpes, de inverno, em Turim, que é quase tão frio como S. Petersburgo - entende-se. Mas com este clima, com esse ar que Deus nos deu, onde a laranjeira cresce na horta, e o mato é de murta, o próprio Xavier de Maistre, que aqui escrevesse, ao menos ia até o quintal."
Almeida Garrett, "Viagens na minha terra"

Já era uma fiel admiradora do Porto. Das verdes águas do Douro, do sotaque tripeiro, das graníticas cores que contrastam com os azulejos e cores fortes das paredes mas sinto que foi a primeira vez que visitei a cidade com olhos de ver.Perdi-me pelas ruas, observei as gentes, deixei-me levar pela magia "vintage" do Porto. Fiquei com o coração partido ao ver tanto abandono e sorri com a espontaneidade -quase grotesca- das pessoas desta terra que também é a minha.

Talvez esteja já demasiado formatada e pense demasiado na chachada das comunidades mas em alguns momentos senti que estava noutro país ou que tenho um profundo desconhecimento das gentes da minha terra ao melhor estilo independentista espanhol. Felizmente por aqui não é assim. Ainda somos todos orgulhosamente portugueses dentro de uma vasta diferença autóctone  Bem haja ao meu país por ser tão bonito e às pessoas por serem tão boas anfitriãs.



Praça da Ribeira

Pç Guilherme Gomes Fernandes

Rua 31 de Janeiro. Ao fundo os Clérigos

Rua St.Catarina

Ponte D.Luiz e a Ribeira vista desde Gaia ( e eu)
Detalhe feira 2ª mão Mercado Ferreira Borges
Pôr-do-Sol na Foz
Casa da Música
Casa da Sorte- Aliados
Caves da Croft
                                     

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Efectivamente escuto as conversas...

Sentada numa esplanada do Largo de Santiago, em Guimarães, ouvi uma senhora brasileira ligar ao filho e, quando ele atendeu, ela disse de golpe

"MEU FILHO, EU TE AMO, ONDE QUE VOCÊ ESTÁ?".

Jocasta on the area. Para mais informações consultar isto 


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Este blogue encontra-se a Viajar

BREVEMENTE: NOVIDADES

Fonte: google.br
"Lo que me llevará al final
serán mis pasos no el camino
no ves que siempre vas detrás
cuando persigues al destino ..."

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Viagens a mi España: Barcelona, Valência e Segóvia

Beleza vale Riqueza

E é por isso que vos reencaminho para textos que escrevi em 2010 sobre Barcelona, Valência e Segóvia.

Ler sobre Barcelona

Ler sobre Valência

Ler sobre Segóvia



quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Barak Obama por mais 4 anos.

Fonte: google.es
Por ideologia política e, sobretudo, como pessoa que habita este Mundo, estou realmente satisfeita com a vitória de Barak Obama. Acredito que todos somos Obama e que todos queremos acreditar que ELE é verdade. Que não é mais um impostor. Olhar para ele faz-me sorrir e sentir-me tranquila.

Obama não é perfeito mas é, sem dúvida, boa pessoa.

Não merecia o Nobel da Paz mas,também, ele não pediu para lho darem.

E esses abraços e miradas que ele dá à Michelle??? Hmmm, nem os livros da Sabrina, nem os não-sei-quê de Grey têm tanto sex-appeal como a Michelle e o Obama. Todos somos Obama e Todas quiséramos ser Michelle.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Os homens e as mulheres...


Fonte: google.es


Há uns tempos a Joana:
- Pai, acabei um namoro à homem.
Perguntei como era acabar um namoro à homem e vai a miúda:
-Disse-lhe o problema não está em ti, está em mim.
O que me fez pensar como as mulheres são corajosas e os homens cobardes. Em primeiro lugar só terminam uma relação quando têm outra. Em segundo lugar são incapazes de
- Já não gosto de ti
de
- Não quero mais
chegam com discursos vagos, circulares
- Preciso de tempo para pensar
- Não é que não te amo, amo-te, mas tenho de ficar sozinho umas semanas
ou declarações do género de
- Tu mereces melhor do que eu
- Estive a reflectir e acho que não te faço feliz
- Necessito de um mês de solidão para sentir a tua falta
e aos amigos
- Dá-me os parabéns que lá me consegui livrar da chata
- Custou-me mas foi
- Amandei-lhe daquelas lérias do costume e a gaja engoliu
- Chora um dia ou dois e passa-lhe
e pergunto-me se os homens gostam verdadeiramente das mulheres. Em geral querem uma empregada que lhes resolva o quotidiano e com quem durmam, uma companhia porque têm pavor da solidão, alguém que os ampare nas diarreias, nos colarinhos das camisas e nas gripes, tome conta dos filhos e não os aborreça. Não se apaixonam: entusiasmam-se e nem chegam a conhecer com quem estão. Ignoram o que ela sonha, instalam-se no sofá do dia a dia, incapazes de introduzir o inesperado na rotina, só são ternos quando querem fazer amor e acabado o amor arranjam um pretexto para se levantar
(chichi, sede, fome, a janela de que se esqueceram de baixar o estore)
ou fingem que dormem porque não há paciência para abraços e festinhas,
pá, e a respiração dela faz-me comichão nas costas, a mania de ficarem agarradas à gente, no ronhónhó, a mania das ternuras, dos beijos, quem é que atura aquilo?
Lembro-me de um sujeito que explicava
- O maior prazer que me dá ter relações com a minha mulher é saber que durante uma semana estou safo
e depois pegam-nos na mão no cinema, encostam-se, colam-se, contam histórias sem interesse nenhum que nunca mais terminam, querem variar de restaurante, querem namoro, diminutivos, palermices e nós ali a aturá-las. O Dinis Machado contava-me de um conhecedor que lhe aclarava as ideias
- As mulheres têm fios desligados
e um outro elucidou-me que eram como os telefones: avariam-se sem que se entenda a razão, emudecem, não funcionam e o remédio é bater com o aparelho na mesa para que comecem a trabalhar outra vez. Meu Deus, que pena me dão as mulheres. Se informam
- Já não gosto de ti
se informam
-Não quero mais
aí estão eles a alterarem a agressividade com a súplica, ora violentos ora infantis, a fazerem esperas, a chorarem nos SMS a levantarem a mãozinha e, no instante seguinte, a ameaçarem matar-se, a perseguirem, a insistirem, a fazerem figuras tristes, a escreverem cartas lamentosas e ameaçadoras, a entrarem pelo emprego dentro, a pegarem no braço, a sacudirem, a mandarem flores eles que nunca mandavam flores, a colocarem-se de plantão à porta dado que aquela puta há-de ter outro e vai pagá-las, dispostos a partes-gagas, cenas ridículas, gritos. A miséria da maior parte dos casais, elas a sonharem com o Zorro, com o Che Guevara ou eles a sonharem com o decote da vizinha de baixo, de maneira que ao irem para a cama são quatro: os dois que lá se deitam e os outros dois com quem sonham. Sinceramente as minhas filhas preocupam-me: receio que lhe caia na sorte um caramelo que passe à frente delas nas portas, não lhes abra o carro, desapareça logo a seguir por chichi-sede-fome-persiana-mal-descida-e-os-ladrões-percebes, não se levante quando entram, comece a comer primeiro e um belo dia
(para citar noventa por cento dos escritores portugueses)
- O problema não está em ti, está em mim
a mexerem na faca à mesa ou a atormentarem a argola do guardanapo, cobardes como sempre. Não tenho nada contra os homens: até gosto de alguns. Dos meus amigos. De Shubert. De Ovídio. De Horácio, de Virgílio. De Velásquez. De Rui Costa. De Einzenberger. Razoável, a minha colecção. Não tenho nada contra os homens a não ser no que se refere às mulheres. E não me excluo: fui cobarde, idiota, desonesto.
Fui
(espero que não muitas vezes)
rasca.
Volta e meia surge-me na cabeça uma frase de Conrad em que ele comenta que tudo o que a vida nos pode dar é um certo conhecimento dela que chega tarde demais. Resta-me esperar que ainda não seja tarde para mim. A partir de certa altura deixa-se de se jogar às cartas connosco mesmos e de fazer batota com os outros. O problema não está em ti, está em mim, que extraordinária treta. Como os elogios que vêm logo depois: és inteligente, és sensível, és boa, és generosa, oxalá encontres etc., que mulher não ouviu bugigangas destas? Uma amiga contou-me que o marido iniciou o discurso habitual
- Mereces melhor que eu
levou como resposta
- Pois mereço. Rua.
Enfim, mais ou menos isto, e estou a ver a cara dele à banda. Nem uma lágrima para amostra. Rua. A mesma lágrima para amostra. Rua. A mesma amiga para uma amiga sua
- O que faço às cartas de amor que me escreveu?
e a amiga sua
- Manda-lhas. Pode ser que lhe façam falta.
Fazem de certeza: é so copiar mudando o nome. Perguntei à minha amiga
- E depois de ele se ir embora?
- Depois chorei um bocado e passou-me.
Ontém jantámos juntos. Fumámos um cigarro no automóvel dela, fui para casa e comecei a escrever isto. Palavra de honra que na janela uma árvore a sorrir-me.
Podem não acreditar mas uma árvore a sorrir-me.


“As mulheres têm fios desligados”, crónica do lúcido António Lobo Antunes, publicada a 31 de Julho de 2008 na revista Visão.

Como ele me tirou as palavras da boca só tive de sublinhar a negrito as considerações que me parecem imprescindíveis.